segunda-feira, 20 de março de 2023

O amor que não diz

 

O amor que não diz

(Wlaumir Souza)

Ao teu lado o silêncio mais profundo

Ouço sentimentos

Silêncio e cortesia entrecortam os gestos

Desejo e fúria – desperta o inconsciente

 

Dizer o quê?

Que te amo.

Amar no século XXI – o que significa

Pedante! Temporário! Transitório...

Quero mais!

 

Acordar contigo

Sonhar o último dia

Com o som do silêncio

Ora compreendido!

 

Ao teu lado o silêncio

Foi presença ardente

Significando a existência

Melhor a presença com silêncio

Ao silêncio com tua ausência



quarta-feira, 8 de março de 2023

Mulheridades

 

Mulheridades

 

No 8 de março

Homenageamos as mulheres

Na diversidade das mulheridades

Em sua mais ampla forma e distinção

De universal os direitos

Para além do físico constrangedor e do metafísico opressor

Da dicotomia homem-mulher

A todas as mulheres que se tornam

Uni-vos na mulheridade plural

Contra todo universalismo e essencialismo

Não nos importa se nasceu

Com vírgula ou exclamação

Nos interessa o sentido da existência

Não vos enganeis

Em meio a mulheridades

Quem é contra todes

É contra todas

O reacionário

Reage a ação de emancipação

Quer silenciar um

Com a cumplicidade da oprimida

O reacionário quer o naturalismo ideologicamente forjado

Para silenciar agora todes

E num lapso a breve

A todas

Uni-vos mulheres nas mulheridades 

Com vírgula ou exclamação

O opressor só se rende

Face a união

Na carne e na alma

Na labauta e na diversão

Com os aliados e os cumplices

Seguindo a tornar-se

O que ilumina construir

Com tuas forças e desejos

Com as entranhas do seu ser




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Nó cego

 

Nó cego

(Wlaumir Souza)

O silêncio se instalou

Estalou

Só o ninguém notou

O silêncio se fez completo

Como se até as rotas dos planetas

Estivessem congeladas

Tamanha profundidade sentida

Continuou invisível e não sentida

Pela multidão das mídias sociais



segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Equinócio

Equinócio

(Wlaumir Souza)

As folhas vibram

Atritam

Reclamam

 

O vento desliza

O ruivo animado

A presença fina

 

O casaco pesado,

Em férias

A meia estação

Inspira

 

É o inverno reclamando

Seus últimos instantes

Se foram.

 


domingo, 22 de janeiro de 2023

Epitáfio

Epitáfio

(Wlaumir Souza)

No dia em que partir

Quero que seja definitivo!

 

Novas encadernações

Apenas se forem garantidas as páginas com  ...

 

As amizades com ;

. apenas no ódio e na desilusão.

 

No dia em que o meu corpo se estilhaçar

Quero um milésimo de silêncio – e nenhum mais

Seguido de beijos mil

Assim todos saberão – o que provei e o que perdi!

Seria possível que houvesse tantos beijos

Quanto abraços ternos

 

Ao anoitecer não me procurem nas estrelas

Não estarei lá!

Estarei trabalhando em favor dos nãos que recebi

Quanto aos sins, foram recíprocos.

 

Queria poder dizer

Que disse sim a tod@s.

Infelizmente

Não foi possível.



domingo, 15 de janeiro de 2023

Do que vês

 Do que vês

(Wlaumir Souza)

Pergunto

Com quantas mentiras somos capazes de viver

De quantas somos capazes de sobreviver

 

Diga!

O embuste mais grave...

O que fazemos a nós mesmos

O que entregamos aos outros

 

Pense...

De todos os engodos

Algum nos tornou o que somos

Outros nos travestiram

O que veem em nós

 

Somos o que

 

No real tem algo de fidedigno

Tornamo-nos apócrifos de nós mesmos

Escrito por outros!

Lidos por desconhecidos!

Tramados por enganos!

 

Engodos no existir...

Somam ou subtraem nossa existência

Qual o espólio que interessa?

A verdade que nos torna o que somos?

A vida como ela é: teatro de circuncisões?



segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Dás

 Dás

(Wlaumir Souza)

De todas as que mais me incomodam

São as humanas

 

Vividas

Não percebidas

Vívidas

Sentidas

 

No passado sem respostas

O presente incompreendido

Retrocesso insoluto

 

Mazelas

Vencestes

Arrogante nem mesmo prêmio almejou

O humano abandonado