segunda-feira, 25 de setembro de 2023

TRAÇOS

 TRAÇOS

(Wlaumir Souza)

Me destes tantos nãos

Das mais diferentes formas

Adicionados pelas atitudes

Que pelas palavras

Que os colecionei

Um a um os contei

Vida segue

Fiz com eles

Um destino reinventado

Trançado de dor e esperança

Conquistas e refugos

Ralentando caminhei adiante

Trazendo nas mãos a esperança

No olhar a espera

Reencontrei o sentido

Vivi entre o Céu e o Inferno

Numa gangorra

Em meio a flores que desabrochavam

Espinhos que murchavam

Como ensinou Cora Coralina

Escolhi o Sol

Atingi as Estrelas

Infinitamente mais belas e diversas

Numa eternidade caleidoscópica luzidia

Sem ponto final

Apenas e simplesmente

Exclamação eternal



segunda-feira, 18 de setembro de 2023

DESEJO

 DESEJO

(Wlaumir Souza)

Quero compor versos

De uma sonata de amor

Penso nas notas mais perfumadas

As letras amantes de si mesmas

Entoam a regência primaveril

Me busco na trilha da emoção

Fica o sentido profundo

Vivo na ciranda da existência

Composta em versos

De um braseiro sem fim

Com sentimentos e emoções

Que fazem coração

Compor uma sinfonia

Onde nos tímpanos

Ecoam coros

De Eros e Cupido entrelaçados



segunda-feira, 11 de setembro de 2023

QUIMERAS

 QUIMERAS

(Wlaumir Souza)

Na infância

Ensinaram que o passamento

Transformávamo-nos em estrelas

 

Na adolescência

Me garantiram a vida eterna

Entre reencarnação e ressurreição

 

Na meia idade

Vejo as estrelas do céu se apagarem

A cada óbito

O dia nublado

Sinto o mundo de lá

Mais atraente em quimeras

 

Na velhice

Espero contemplar a verdade

Do silêncio infinito

Do átimo cósmico

E sentir simplesmente o fim

De quem mergulha e funde ao universo

Sem princípio e nem fim

Deus encantando o encantado

De fecundar o tempo e o espaço

Com um pó de mim



 

 

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

SENTIDO

 SENTIDO

(Wlaumir Souza)

Perguntei ao vento

Qual o sentido da existência

Sussurrou palavras inauditas

De sentidos múltiplos

Completou

Só saberás a sentença da existência

Quando fores passado

O entenderás em cortes profundos de viver

Que pesa no presente

Como possibilidade de ser

Viva e sinta o percurso

De pensar que o futuro sempre vem

Caminhando passo a passo

Perceberás que mais relevante que o sentido

É a própria existência

A existência é o sentido

E não o sentido a existência

Viva e reviverás




 

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

PIANÍSSIMO

 PIANÍSSIMO

(Wlaumir Souza)

Na primeira estação a vida

Sonhava com labirintos de partituras

Fui guiado por suas mãos

Em tons e semitons

Em falas de coloridos acordes

De escala em escala

Solfejando pela vida

Por vezes em mi menor ou maior

Presente ala representava

Mesmo que ralentando a presença

Doce e terna otimista mestra

Que mesmo nos encontros estacados

Quem a conhece se encanta pela melodia

De vida-arte sobrevida

Sua estatura poucos alcançam

Em partituras de saber

Muitos sonham com ela

Piano

Piano

Num abraço

De orquestra sinfoniando a existência

Rege a ópera da amizade

Como ninguém

Não quero a pausa

Desejo as sonoridades únicas

Sob a sua regência sem fim

Seguimos em trinados

Diante do século XX e XXI

Entre o alegro e o vivace

Dançando um rondó infinito

 


 

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

EXÉQUIAS

 EXÉQUIAS

(Wlaumir Souza)

A  religião alardeia o infinito

Competindo com os Cosmos

Deus apresente a finitude

A morte

Ponto final ou de exclamação

Permanece a interrogação

Do que sonha e crê

Do que deseja e teme

Corta a carne de quem fica

Em pesar e dor

Para iluminar a presença do ausente

Saudade é o que impera

Uma penumbra do Universo interno

Se ilumina em pranto

No encerrar das existências

Tão longas no viver

Tão breves no esmaecer de perecer

No limiar entre o dito-vivido

E o silêncio profundo

Da Paz Profunda sem fim



segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Finitude

 Fim

(Wlaumir Souza)

 

Chegou a sexta-feira

Tão rápida e líquida

Passou o Ano Novo Gregoriano

Vão se anos

Onde aportará já ao sei

Lá se vai  meu natalício

Mais de meio século percorrido

Olho para trás e não vejo o tempo

Miro o futuro e parece infinito

Não o meu

Posto que um dia finda

O das gerações

Da vida pedindo mais vida

Sigo esse conselho

E me iludo com a eternidade do hoje

Visto que o amanhã é sempre amanhã

E nunca achega-se ao raior do sol

Vivas ao desaniversário