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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Donald Trump: Cada nação tem o Temer que merece

Uma das características do neoliberalismo é a polarização social. Neste quesito Brasil e EUA estão igualados pelas últimas eleições presidenciais. Tanto em um como em outro País o neoliberalismo conseguiu recriar o medo da insuficiência de recursos para todos da nação. Não que isto tenha desaparecido do planeta que produz mais do que suficiente para não haver fome e miséria, mas, se acentuou a diferença e a distância entre as camadas sociais.
O Estado de liberalismo neoclássico que intervinha e tinha no Estado um dos produtores de classe média entra em declínio e, pior que isto, a ideia de redistribuição de renda via serviços públicos passa a ser propalado não como investimento, mas, antes e, sobretudo, como gasto. Neste ponto resta a classe média a desesperação do desamparo uma vez que, sobretudo no Brasil, os salários são insuficientes para a manutenção da posição de camada intermediária no mercado de trabalho privado.
Neste ponto a metáfora da barata e do inseticida ganha força e aterroriza os brasileiros que aspiram ser brazileiros.

A ascensão de Temer ao poder por meio de “golpe jurídico-parlamentar” legitimada pelas massas que aspiram aos píncaros do consumo, mais do que a cidadania, que saíram às ruas e militaram pela internet - característica esta que é compatível com o neoliberalismo que não precisa da democracia para reproduzir-se e, sim, da liberdade suprema do capital aos limites impostos pelo Estado defensor de sua nação. – é a outra face da moeda da eleição de Donald Tramp. Enquanto na Terra Brasilis a baixa qualidade da democracia permite o uso de instituições formais para retirar presidenta legitimamente sufragada; nos EUA, a eleição a eleição legítima tende a ser respeitada pelo congresso e judiciário.
Note bem, isto não quer dizer que Trump poderá fazer tudo o que reverberou durante a campanha. Em geral, um é o candidato e outro o administrador. Some-se a isto o fato de que o presidente eleito não detém o apoio amplo do partido pelo qual se candidatou. Mas, no Brasil isto causou furor nas redes sociais. As camadas médias foram pegas de surpresa, afinal, faria com elas Tramp o que faz Temer com as camadas abaixo das medianas?
E, assim, a metáfora da barata e do chinelo ganha outra conotação. Agora ameaçadora.
Para aqueles que não conhecem as “piadas” das baratas, vamos a elas. Se chinelo fosse partido a barata votaria nele. A barata festejando a invenção do inseticida.
Claro a barata é sempre uma camada abaixo. O problema é quando o inseticida ou chinelo está camadas acima.

Adeus  lúgubre 2016. Que venha 2017 com novas possibilidades.

sábado, 29 de março de 2014

Ditaduras? Jamais! ou 50 anos depois do Golpe Militar

                                                                                                                              Wlaumir Souza
Inquietante como o lugar social pode nos definir, restringir ou iluminar. E, neste ponto, o regime político no qual se vive ou se viveu ou se sonha viver pode, e muito, contribuir para uma perspectiva ou outra.
50 anos após o início do golpe militar – que surripiou o lugar do democrático, no Brasil, em nome do medo imposto pelas armas da tortura como meio leviatânico de manter o controle da propriedade enquanto forma de exclusão, exploração e dominação – ainda ouve-se a pergunta se foi golpe ou revolução.

As respostas continuarão as mesmas enquanto houver sobreviventes que se favoreceram, enriqueceram ou destacaram-se a custa do ódio, da discriminação e da censura construída pelo regime militar. Marciais saudosos e seus cúmplices na ocultação do real (além de cadáveres) e de salários polpudos para o livre abuso do poder com estímulo estatal oficioso, alardearão que foi revolução em nome da “Família e de Deus”. Nem é bom lembrar que “Homem de bem” foi um periódico nazista.
No outro vértice, os derrotados de outrora – perseguidos, vilipendiados, torturados escorraçados, presos ou degredados –  e hora os vitoriosos no regime, os republicanos democráticos (?) e outros tantos que não tão simpáticos a este regime se deixaram seduzir pelo galgar da ascensão social, política, econômica e cultural e que bradam, - Foi golpe!
Local comum dizer que ao vencedor cabe dominar (escrever) a história, além das batatas. Assim, lemos livros que enaltecem homens, brancos e heterossexuais em quase todos os espaços: do livro didático, passando pelo jornal, aos meios de entretenimento mais populares ou sofisticados. Todavia, se ainda, na segunda década do século XXI, a pergunta persiste – foi revolução ou golpe? – demonstra-se por esta via que a vitória da democracia republicana ainda não se deu por completa. E, talvez isto nunca venha ocorrer enquanto dialética da história.
Num país fraturado por uma separação de classes tão abusiva; com um racismo excludente eficiente sem se institucionalizar ao impedir a ascensão social do outro, mesmo com a criminalização do segregacionismo; e, de um machismo que encontra guarida até em despacho de juízes mesmo após a conquista da tipificação realizada pela Lei Maria da Penha; e estas leis são provas da condição de exceção ou segunda categoria de cidadania concedida aos "segundos sexos" e ao "pecado da cor" que são arduamente combatidos pela mobilização social nacional e o apoio de agências internacionais.


Enquanto estas questões e tantas outras não forem resolvidas ou equacionadas estarão dadas as condições para que o pensamento, o sentimento e a atitude autoritária, ditatorial, mandonista, nazista, sexista, etnocêntrica, fascista, stalinista, entre tantas outras... ocorram. Em outros termos, somente quando a democracia republicana se democratizar republicanamente em sua universalidade emancipadora em favor das diversidades e pluralidades democráticas os discursos mais sublimes deixarão de ser metafísica sem costumes.