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segunda-feira, 5 de junho de 2023

Contemporâneo

 

Contemporâneo

(Wlaumir Souza)

Amo-te assim

Frente e Verso

Do avesso e no reverso

 

Somos gêneros ilimitados

Sexualidade em devir

Prazer dizendo

Sim

 

Amo-te assim

Sem pudor

Sem pecado

Com abraços e afagos

Beijos e toques

 

Abaixo o patriarcado

Viva a diversidade

De amar-te assim



sexta-feira, 8 de março de 2019

Dia das Mulheres e violência: o problema da “violenta emoção” de Moro


Mulheres, homossexuais e negros são os alvos preferencias do preconceito e discriminação no Brasil. O País é um dos que mais matam estes seres humanos. No caso dos negros e pardos um verdadeiro genocídio feito em nome da ordem. No dos homossexuais é um fragrante da homofobia que faz com que os casos não sejam investigados e os responsáveis punidos. Para as mulheres ascendeu uma luz no final do túnel com a lei 13.104/2015 que tipificou o feminicídio.
Após longa demanda feminista pela igualdade o feminicídio passou a compor as normas do Estado que reconheceu a necessidade de punição específica para o homicídio cometido por questões de gênero. 
Não foi uma demanda fácil visto que o patriarcado ainda mantém forte suas raízes de controle social sobre os femininos nas mentalidades e na práticas cotidianas. Para se ter uma ideia disto, basta lembrar que a eleição de 2018, à Presidência da República, tinha como um de seus slogans, do candidato sufragado, a batalha contra a igualdade de gênero ao denominar pejorativamente os estudos e pesquisas da área de ideologia.
Assim, a mudança cultural que se esperava com a lei do feminicídio ainda não ocorreu e estamos no quinto lugar como o país que mais executa mulheres. Uma vergonha!
E, neste quesito, o Ministro da Justiça Sérgio Moro faz um desserviço a nação feminina ao propor que “violenta emoção” seja um atenuante e até absolvição  daquilo que ainda consideramos crime oficialmente. Ao mesmo tempo presta serviço a interpretação patriarcal da realidade sancionada no presidente eleito. Para isto basta lembrar algumas frases célebres de Bolsonaro sobre a mulher: “Mulheres têm de ganhar menos porque engravidam.” e “Não empregaria mulheres com o mesmo salário dos homens”. É um projeto que está em curso e a exclusão da mulher faz parte como elemento a ser mais explorado.
Isto impactará negativamente, possivelmente, nos julgamentos de feminicídio visto que boa parte do patriarcado permanece vigente nas ideias, práticas sociais, judiciais e policiais.
É uma forma de se reestabelecer o antigo jargão jurídico do crime passional  (além da velha legítima defesa da honra derrubado pela lei do feminicídio) para as interpretações mais rasas da lei em nome da velha ordem sufragada na eleição presidencial.

Paras se ter uma visualização do que poderá ser novamente legitimado, a cada 36 horas uma mulher é vítima de feminicídio no Estado de São Paulo, ou seja, morreu por ser mulher e muitas vezes em sua própria casa e por pessoas que conhece.
Em 2018, a condição de “menosprezo ou discriminação da condição de mulher” registrou em boletins de ocorrência, no Estado de São Paulo, 148 assassinatos. Ou seja, 12% maior que o ano de 2017. E, no ano que estamos, diante da legimitimação na nova ordem, os números só fazem crescer.
Com a Lei do Feminicídio - 13.104/2015 – viabilizou uma brecha na invisibilidade dos crimes contra a mulher, uma vez que passaram a ser catalogados. E, como não poderia de deixar de ser diante da realidade  machista do Brasil, só fazem crescer em registros oficiais o que demonstra 1) o conhecimento crescente do aporte legal, 2) o empoderamento da mulher, 3) as vítimas se libertando da síndrome de Estocolmo.
Os registros de feminicídios no Brasil são de 445 no ano de 2015; 763 no ano de 2016 e 1135 no ano de 2018. O que não quer dizer que impunidade tenha acabado. Pelo contrário é regra diante da ausência de educação formal e sistemática dos agentes do Estado diante desta questão. Salvo o papel meritório das poucas Delegacias das Mulheres que são sistematicamente abandonadas a própria sorte.
Como se não bastasse a violência física, na questão patrimonial não é muito diferente. As mulheres ainda recebem salários menores que os homens em igual função e com igual capacitação profissional. Uma vergonha para qual o atual governo parece não se opor ao não apresentar propostas de superação, pelo contrário, fazer-se cercas por pessoas infensas as demandas feministas quando não opostas a estas.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Cláudia Cruz e Adriana Ancelmo: Belas, recatadas e do lar

O projeto conservador cristão é eminentemente patrialcal e revela o emaranhado de armadilhas conceituas que pululam nas mentes ocidentais. Vítimas de si próprios, pensam um mundo que não deveria existir mais, pois baseado na retirada de oportunidades de igualdade para todos e todas.
Uma destas armadilhas conceituais pode ser vista no desfecho do processo que inocentou as esposas de Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, respectivamente Cláudia Cruz e Adriana Ancelmo. O mote da absolvição orbita ao redor da definição e das tradições patriarcais que chegam ao século XXI não mais no formato da lei, do Estado, mas no imaginário e nas representações dos funcionários do Estado que dizem ser isentos.
Na mente patriarcal cabe ao marido, enquanto provedor, a tudo dominar, controlar e explorar indo dos animais, passando pelos empregados (onde o abuso sexual é uma prática reinventada de geração em geração), filhos à esposa e demais dependentes. Todos devidamente subjugados pelo poder do macho, mantenedor da ordem e dos costumes em conformidade aos padrões morais dominantes, tradicionais e tradicionalistas, legitimado socialmente, não mais pelo aparato legal, de forma explícita, mas pelo poder do imaginário e das representações sociais que se articulam em verdadeiras armadilhas conceituais que oprime às minorias nas formas das práticas discursivas.
Mas, apenas dominar, controlar e explorar levaria à união das minorias contra a maioria opressora e controladora. Cabe dividir as minorias para governa-las e expropria-las e faz-se isto com diferentes formas de benesses aos que se subjugam ás práticas culturais patriarcais: da distinção social ao salário.
Neste ponto Adriana Ancelmo e Cláudia Cruz interpretaram seu papel social esperado pelo projeto conservador em curso no país, e que tem no anti-petismo apenas um de seus vértices. Mas, não apenas ou exclusivamente ali, mas por boa parte da toga que ainda permanece machista, racista, sexista, homofóbica cometendo crimes perfeitos, uma vez que, insuspeitos pelas mentes conservadoras que se fazem surdas às denúncias das minorias do arcabouço doutrinário dominador e controlador.

Vejamos alguns crimes perfeitos: 1- Foi necessária a Lei Maria da Penha para minimizar a opressão do assassinato sistemático de esposas, amantes, namoradas e noivas. Minimizou, mas não resolveu. A mentalidade patriarcal continua grassando nos nas mentes dos que julgam e amenizam as penas. 2- Nem com a Lei do Crime de Racismo se extirpou tal prática do cotidiano e do judiciário. A reinterpretação sistemática da lei em favor dos que se consideram brancos, em meio à latinidade, abusando do colorismo como sistema de controle, fez com que só houvesse condenados por injuria racial no Brasil. 3- O assassinato sitemático de LGBTTT ainda não reconhecido pelo Estado na forma da lei parece compactuar com a licença para matar LGBTTTT tornando o Brasil campeão de mortes destes cidadãos.
Imbuídas desta mentalidade as esposas de Cunha e Cabral – e bem orientadas pela defesa que conhece as mentalidades conservadoras e patriarcais das togas – as colocaram para depor em meio a atuação da persona da boa esposa, da boa dona de casa, da mulher submetida ao poder do macho no papel de marido e provedor. Como abafaram-se, de bom grado, a penitência pública de igualarem-se às mulheres de classe média pré-feminismo, foi lhes concedido o beneplácito das vítimas que se subjugam ao projeto conservador patriarcal em curso. Este devota papel especial a mulheres “Bela, recatada e do lar” o espaço privado sob o controle do macho.

A advertência veio pelo ato de ostentar com gastos multimilionários o dinheiro que seria do povo. Afinal, são todos cristãos e a caridade – e não as políticas públicas e sociais – deve ser maior, no plano ideal da doutrinação e das culpas, que o consumo como meio de legitimar o ordem opressora denunciada pela ostentação.