segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Janela

 Janela

(Wlaumir Souza)

Triste profundeza do poder entediado

De si mesmo ao largo do encontro!

 

Ao largo

Encontro

Entediado de si mesmo

O poder

Triste profundeza

 

Do poder entediado de si mesmo

Ao largo do encontro

 

Do poder

De si mesmo

Entediado

Encontro ao largo

 

De si mesmo ao largo do encontro!

Encontro

Ao largo

De si mesmo

 

Encontro!



segunda-feira, 1 de novembro de 2021

MORTE

 

MORTE

(Wlaumir Souza)

Preso na vida

Em jaula detida

Aguarda o dia

Cesse essa condenação

Deus pronunciando o nome

Tudo silencie

Numa Via Láctea infinda

Ainda não descrita

Perscrutando os desígnios do Inaudito

Tua existência será cintilância

De uma sinfonia Cósmica

Do Big Bang existencial eternal



segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Liberdade

Liberdade

(Wlaumir Souza)

Embalada para presente

Alçou-se num futuro

Que nunca amanheceu

 

Acondicionada entre laços e enlaces

Despediu-se qual estranha

Observada a todo instante

 


Quisera abraçar-te

Entregar-me a ti

Como amantes

Despreocupados e despudorados

 

Sei teu nome teu

Teu sentido

Desconheço tua existência

 

Plena ou calada

Sentida ou apartada

Um dia entrego-me a ti

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Segredo

 

Segredo

(Wlaumir Souza)

Silêncio...

Silêncio.

A chave do segredo

É a mais potente verdade

Do íntimo desejo

Dissoluto traidor do silêncio

Sobre ele recai

Silêncio...



A condenação de nada ser

Para além da existência de si mesmo

Fora da história amiga

Será improbo ausência

Silêncio.

domingo, 19 de setembro de 2021

Príncipe das Águas...

 Príncipe das Águas...


(Wlaumir Souza)


Destino

Cel. Bandido

Deste-me o que ver

Não o que ter

 

Pretensioso acaso planejado

Os gregos foram teus escravos

Do drama com fortuna de livramento

Vejo-me no enredo

 


Arremedo

Na tragédia

Remendo

Âncora que me liberta

 

Destino

A poeira da história vos encobre

Liberdade

Brande com a ilusão

- O destino? Foi sepultado!

domingo, 12 de setembro de 2021

Memento

 Memento

(Wlaumir Souza)

No contrato da vida

Na última linha

Em letras em caixa alta e negrito e itálico e grifado

Está previsto o fenecimento

 

Muitos temem a morte

E se esquecem do morrer

Morrer com leveza

È privilégio de poucas

Com dignidade é quase a confirmação

De que existem milagres

 


O morrer em dor

O morrer dormindo

O morrer ao relento

O morrer em casa

O morrer hospitalar

O morrer síncope

O morrer se desdobra na existência humana

Em seus infinitos cultivos de poentes e de inexistências

 

Mais que o morrer

O que é reverberado

É o morto

Mais que temor à morte

Além do tremor do morrer

O morto nos espanta

Enquanto a tantos outros admira

 

Para onde foi o que vivia

Para onde segue sua existência

Para onde vai sua memória

Para onde ruma os seus ditos

Com quem fica sua eternidade

O que nos ensina a finitude

 

A morte

O Morrer

O morto

Nas lembranças da coletividade a eternidade

Na última lembrança

De um sobrevivente ao contrato da vida

O morrer e o morto e a morte assombram

O sem fim das existências contidas no tempo de agora

 

 

 

 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Exposição

Exposição

Wlaumir Souza)

Quem expõe

Se expõe

Nos ditos

Nos discursos

Nos escritos

Nos gestos

Nos suspiros e respirações

Nos olhares e silêncios

 

Se expõe

Quem expõe

Nos valores e preconceitos

Nos desejos e nos sonhos e nos fantasmas

Nos gozos e nos chistes e esquecimentos

 

Quem expõe

Se expõe

Na vitrine das retinas

Nos auscultar dos ouvidos em múltiplos sentidos

Nos vívidos e vividos significantes

No show da exposição

De desnudar-se em público

Em múltiplas linguagens caleidoscópicas

Sem o sentir ou saber