segunda-feira, 14 de março de 2022

Bordejo

 

Bordejo

(Wlaumir Souza)

(Dedicado a Elis Gunella)

 

Depois da vida rasgar

Remende-se com a linha da esperança

Amparado pelo dedal do amor

Siga firme com a agulha da resiliência

Bordando novas experiências

No tecido da vida

Há sempre espaço

De mais uma paisagem

No amanhecer celestial

De uma nova quimera

Na existência que se refaz

Em meio a tantos bordejos

Que se resignificam

Num lindo pensar

 


domingo, 21 de novembro de 2021

Nostalgia

 

Nostalgia

(Wlaumir Souza)

No museu, o relicário

Religando o esquecido à coisa alguma

A ilusão ao murmurinho

- Ploft

A jabuticaba caiu

Ao ver a jaca sorrir

Assim reinventada em magias

Entendeu que o passado

Só existe no presente

Enquanto linguagem que se reinventa

Enquanto humanidade que se fragmenta

Segue relembrando e rememorando e reiventando

Os segundos

Se transmutaram em horas

Os dias

Em anos de furta-cor

Eita força vital

Da memória consciente ou inconsciente

A gritar em céu aberto

De tanta nostalgia

Do que continua sendo em linguagem



 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Janela

 Janela

(Wlaumir Souza)

Triste profundeza do poder entediado

De si mesmo ao largo do encontro!

 

Ao largo

Encontro

Entediado de si mesmo

O poder

Triste profundeza

 

Do poder entediado de si mesmo

Ao largo do encontro

 

Do poder

De si mesmo

Entediado

Encontro ao largo

 

De si mesmo ao largo do encontro!

Encontro

Ao largo

De si mesmo

 

Encontro!



segunda-feira, 1 de novembro de 2021

MORTE

 

MORTE

(Wlaumir Souza)

Preso na vida

Em jaula detida

Aguarda o dia

Cesse essa condenação

Deus pronunciando o nome

Tudo silencie

Numa Via Láctea infinda

Ainda não descrita

Perscrutando os desígnios do Inaudito

Tua existência será cintilância

De uma sinfonia Cósmica

Do Big Bang existencial eternal



segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Liberdade

Liberdade

(Wlaumir Souza)

Embalada para presente

Alçou-se num futuro

Que nunca amanheceu

 

Acondicionada entre laços e enlaces

Despediu-se qual estranha

Observada a todo instante

 


Quisera abraçar-te

Entregar-me a ti

Como amantes

Despreocupados e despudorados

 

Sei teu nome teu

Teu sentido

Desconheço tua existência

 

Plena ou calada

Sentida ou apartada

Um dia entrego-me a ti

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Segredo

 

Segredo

(Wlaumir Souza)

Silêncio...

Silêncio.

A chave do segredo

É a mais potente verdade

Do íntimo desejo

Dissoluto traidor do silêncio

Sobre ele recai

Silêncio...



A condenação de nada ser

Para além da existência de si mesmo

Fora da história amiga

Será improbo ausência

Silêncio.

domingo, 19 de setembro de 2021

Príncipe das Águas...

 Príncipe das Águas...


(Wlaumir Souza)


Destino

Cel. Bandido

Deste-me o que ver

Não o que ter

 

Pretensioso acaso planejado

Os gregos foram teus escravos

Do drama com fortuna de livramento

Vejo-me no enredo

 


Arremedo

Na tragédia

Remendo

Âncora que me liberta

 

Destino

A poeira da história vos encobre

Liberdade

Brande com a ilusão

- O destino? Foi sepultado!