domingo, 3 de abril de 2022

ANÁTEMA

 

ANÁTEMA

(Wlaumir Souza)

Muitos daqueles morreram

Destes também

 

Que bom

 

Minha esperança insiste acesa

De que em breve

Morram daqueles muitos

Também destes

 

Eu




segunda-feira, 28 de março de 2022

Análise

 

Anállise

(Wlaumir Souza)

Considerava suas ideias

Todas fora do lugar

Olhava e ouvia o mundo

Sentia tudo no avesso e no contra tempo

Seguiu décadas assim

Meio triste

Meio cabisbaixo

Até que um dia leu um livro

Se encontrou

Em letras e versos

Bem tramados em conceitos

Existencialistas

Críticos

Se viu em casa

Pela primeira vez

Abandonou os dogmas

De que nada servia

Para além de conflitos

Entre o humano e a ditadura do ser

Trocou de biblioteca e referências

Seguiu livre

Por um mundo onde

Não havia escola

Ainda

O adverso se tornou potência

De uma humanidade humana

As ideias fora do lugar

Demonstraram-se um lugar fora das ideias

 


 

domingo, 20 de março de 2022

Anos Novos

 

Anos Novos

(Wlaumir Souza)

O Ano Novo é uma festa multicores

De todos os lados do planeta

Ecoam festas e solidarizações

Abraços e promessas

Esperanças e mistificações

 

Mais que um Ano Novo

A festança é tão boa

De enganar os tempos retilíneos de multiversos

Que no planeta azul

Se faz mais de um por ano

O Ano Novo Judaico

O Ano Novo Cristão

O Ano Novo Chinês

O Ano Novo Rasa Cruz

O Ano Novo Cósmico

 

São tantos e felizes

Que entre um ritual e outro

Muitos se perdem

Outro tanto se encontra

 

Meu amor – o silêncio – e eu

Elegemos comemorar todos

Pirraça feliz de quem vive feliz

Revelando que no ciclo da vida

Certeza só da vida e da morte

 


segunda-feira, 14 de março de 2022

Bordejo

 

Bordejo

(Wlaumir Souza)

(Dedicado a Elis Gunella)

 

Depois da vida rasgar

Remende-se com a linha da esperança

Amparado pelo dedal do amor

Siga firme com a agulha da resiliência

Bordando novas experiências

No tecido da vida

Há sempre espaço

De mais uma paisagem

No amanhecer celestial

De uma nova quimera

Na existência que se refaz

Em meio a tantos bordejos

Que se resignificam

Num lindo pensar

 


domingo, 21 de novembro de 2021

Nostalgia

 

Nostalgia

(Wlaumir Souza)

No museu, o relicário

Religando o esquecido à coisa alguma

A ilusão ao murmurinho

- Ploft

A jabuticaba caiu

Ao ver a jaca sorrir

Assim reinventada em magias

Entendeu que o passado

Só existe no presente

Enquanto linguagem que se reinventa

Enquanto humanidade que se fragmenta

Segue relembrando e rememorando e reiventando

Os segundos

Se transmutaram em horas

Os dias

Em anos de furta-cor

Eita força vital

Da memória consciente ou inconsciente

A gritar em céu aberto

De tanta nostalgia

Do que continua sendo em linguagem



 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Janela

 Janela

(Wlaumir Souza)

Triste profundeza do poder entediado

De si mesmo ao largo do encontro!

 

Ao largo

Encontro

Entediado de si mesmo

O poder

Triste profundeza

 

Do poder entediado de si mesmo

Ao largo do encontro

 

Do poder

De si mesmo

Entediado

Encontro ao largo

 

De si mesmo ao largo do encontro!

Encontro

Ao largo

De si mesmo

 

Encontro!



segunda-feira, 1 de novembro de 2021

MORTE

 

MORTE

(Wlaumir Souza)

Preso na vida

Em jaula detida

Aguarda o dia

Cesse essa condenação

Deus pronunciando o nome

Tudo silencie

Numa Via Láctea infinda

Ainda não descrita

Perscrutando os desígnios do Inaudito

Tua existência será cintilância

De uma sinfonia Cósmica

Do Big Bang existencial eternal