ANÁTEMA
(Wlaumir Souza)
Muitos daqueles morreram
Destes também
Que bom
Minha esperança insiste acesa
De que em breve
Morram daqueles muitos
Também destes
Eu
ANÁTEMA
(Wlaumir Souza)
Muitos daqueles morreram
Destes também
Que bom
Minha esperança insiste acesa
De que em breve
Morram daqueles muitos
Também destes
Eu
Anállise
(Wlaumir Souza)
Considerava suas ideias
Todas fora do lugar
Olhava e ouvia o mundo
Sentia tudo no avesso e no contra tempo
Seguiu décadas assim
Meio triste
Meio cabisbaixo
Até que um dia leu um livro
Se encontrou
Em letras e versos
Bem tramados em conceitos
Existencialistas
Críticos
Se viu em casa
Pela primeira vez
Abandonou os dogmas
De que nada servia
Para além de conflitos
Entre o humano e a ditadura do ser
Trocou de biblioteca e referências
Seguiu livre
Por um mundo onde
Não havia escola
Ainda
O adverso se tornou potência
De uma humanidade humana
As ideias fora do lugar
Demonstraram-se um lugar fora das ideias
Anos Novos
(Wlaumir Souza)
O Ano Novo é uma festa multicores
De todos os lados do planeta
Ecoam festas e solidarizações
Abraços e promessas
Esperanças e mistificações
Mais que um Ano Novo
A festança é tão boa
De enganar os tempos retilíneos de multiversos
Que no planeta azul
Se faz mais de um por ano
O Ano Novo Judaico
O Ano Novo Cristão
O Ano Novo Chinês
O Ano Novo Rasa Cruz
O Ano Novo Cósmico
São tantos e felizes
Que entre um ritual e outro
Muitos se perdem
Outro tanto se encontra
Meu amor – o silêncio – e eu
Elegemos comemorar todos
Pirraça feliz de quem vive feliz
Revelando que no ciclo da vida
Certeza só da vida e da morte
Bordejo
(Wlaumir Souza)
(Dedicado a Elis Gunella)
Depois da vida rasgar
Remende-se com a linha da esperança
Amparado pelo dedal do amor
Siga firme com a agulha da resiliência
Bordando novas experiências
No tecido da vida
Há sempre espaço
De mais uma paisagem
No amanhecer celestial
De uma nova quimera
Na existência que se refaz
Em meio a tantos bordejos
Que se resignificam
Num lindo pensar
Nostalgia
(Wlaumir Souza)
No museu, o relicário
Religando o esquecido à coisa alguma
A ilusão ao murmurinho
- Ploft
A jabuticaba caiu
Ao ver a jaca sorrir
Assim reinventada em magias
Entendeu que o passado
Só existe no presente
Enquanto linguagem que se reinventa
Enquanto humanidade que se fragmenta
Segue relembrando e rememorando e reiventando
Os segundos
Se transmutaram em horas
Os dias
Em anos de furta-cor
Eita força vital
Da memória consciente ou inconsciente
A gritar em céu aberto
De tanta nostalgia
Do que continua sendo em linguagem
Janela
(Wlaumir Souza)
Triste profundeza do poder entediado
De si mesmo ao largo do encontro!
Ao largo
Encontro
Entediado de si mesmo
O poder
Triste profundeza
Do poder entediado de si mesmo
Ao largo do encontro
Do poder
De si mesmo
Entediado
Encontro ao largo
De si mesmo ao largo do encontro!
Encontro
Ao largo
De si mesmo
Encontro!
MORTE
(Wlaumir Souza)
Preso na vida
Em jaula detida
Aguarda o dia
Cesse essa condenação
Deus pronunciando o nome
Tudo silencie
Numa Via Láctea infinda
Ainda não descrita
Perscrutando os desígnios do Inaudito
Tua existência será cintilância
De uma sinfonia Cósmica
Do Big Bang existencial eternal