Ética: razões e emoções
Ética é uma
área de estudos da filosofia que pesquisa a moral, os princípios e valores que
regem a vida e o comportamento humano.
Desde a
Filosofia, no seu nascedouro, quer no Egito Antigo ou na Grécia Antiga, a
questão da reflexão dos valores e princípios foi questão fundamental para os
embates e a ponderação intelectual, política, artística, social, cultural e
econômica.
A Filosofia e a
Ética não ficam restritas ao meditar sobre a vida. Elas se estendem para o
mundo concreto das relações, interações, poder, coerção, libertação e autonomia.
Atinge o cotidiano das pessoas que vivem e sentem no dia a dia. Conduz atitudes
e percursos históricos vividos por todos.
Filosofia e
Ética contribuem para questionar nossas ideias e conceitos sobre a vida e o
viver, o trabalho e o trabalhar, enfim, o
saber, a arte, a ciência, a política, os conceitos fundamentais da existência na
busca de construir sentidos. Com isso estimula a autonomia de pensamento
crítico face a sociedade e suas ideologias propaladas como solução fácil e
reprodutiva da vida em busca de liberdade que é condição humana preliminar.
Com isso,
pode-se depreender que a Filosofia e a Ética são filhas da democracia e a ela
sustentam nos princípios da busca da autodeterminação quer dos povos como dos
indivíduos.
No campo da
razão, pode-se dizer que a Ética é: 1) farol na tomada de decisões, simples,
complexas ou controversas; contribuindo para as deliberaçoes face as opções
possíveis e plausíveis na busca do justo comportamento; 2) aprimora o convívio
social, e no ambiente de trabalho colabora para a harmonia ao instrumentalizar
princípios como respeito, honestidade e responsabilidade, garantindo a
confiabilidade de uns nos outros e tornando as relações mais positivas; 3)
implementa o senso crítico que se apura progressivamente aos níveis mais
elevados de aprendizagem e conduta, questiona os valores e normas estabelecidos
pela moral ao identificar contradições, injustiças e parcialidades, neste
instante busca soluções equitativas e justas para todos sem distinção ou
privilégios; 4) aprimora a consciência moral dos indivíduos ao questionar os
próprios valores e os da comunidade em direção a ação que tomam antecipando os
impactos na vida real e emocional das pessoas o que colabora para buscar maior
responsabilidade e integridade; 5) colabora para a construção de um mundo mais
justo e igualitário indo em direção a equidade ao promover valores humanos e de
trabalho que visam a solidariedade e a liberdade de decisão com
responsabilidade e consciência para decisões e ações bem informadas e positivas
para todos.
Longe de se
analisar a Filosofia e a Ética como campo exclusivo da razão, há de se fazer as
ponderações sobre as emoções no filosofar e na ética. Estas evocam emoções
positivas e negativas, sendo uma experiência única e mediada pelas crenças,
valores e experiências pessoais vividas pelos indivíduos, comumente chamadas de
moral.
Quer sejam as
emoções positivas ou negativas, elas movem o sujeito na busca de respostas
éticas à existência pessoal, coletiva ou no trabalho ampliando seu senso
crítico inclusive sobre o que sente e porquê sente desta ou daquela maneira.
Assim,
sentimentos positivos como 1) curiosidade sobre o certo e o errado, o justo e o
injusto, o moral, o imoral e o amoral; 2) empatia e compaixão aos outros face
aos dilemas e as diferentes perspectivas; 3) inspiração à ação justa e feliz ao
estudar as diferentes doutrinas filosóficas sobre a ética; 4) esperança de uma
vida mais justa, feliz e equitativa face aos desafios da moral, da sociedade do
ambiente de trabalho, se não no presente, no futuro próximo; 5) empoderamento
na tomada de decisões balizadas numa informação de qualidade propiciadas pela
história da filosofia e da ética
Por outro lado,
sentimento que poderiam ser chamado, grosso modo, de negativo, nada mais é que
o espanto, a admiração filosófica face ao mundo que se move e ao se mover nos
leva juntos, não de modo passivo, mas ativo ao transformar o mundo na busca de
valores e princípios que possam nos guiar numa vida justa, humana e feliz com
equidade.
Assim, as emoções negativas nos
movem face ao novo ao nos desafiar a refletir e a agir de modo ético, apesar
dos contrapesos. Dentre estas pode-se destacar 1) o desconforto ao questionar a
moral, as nossas próprias crenças e valores o que pode nos conduzir a um estado
perturbado diante do imediatamente novo modo de viver e deixar viver; 2)
frustração diante dos dilemas éticos que desfazem as armadilhas do senso comum
de soluções simplistas e imediatistas, a impotência diante do real é a potência
da reflexão diante de uma nova ação a se construir ou reconstruir o mundo e as
pessoas; 3) ansiedade diante de nossa falibilidade face a ação da moral e da ação ética e o desafio de
construir novas normas e práticas; 4) indignação frente a injustiça e a
desigualdade que podem parecer, em princípio, intransponíveis.
Todavia, nenhum destes sentimento
ditos negativos nos leva a desesperança, pelo contrário, o filosofar ético
convida a reinventar a vida e a sociedade, bem como o mundo do trabalho. Este o
sabor da admiração filosófica diante do mundo e da vida que se move, ainda que
lentamente, mas move as ações no mundo e para o mundo justo, feliz, humano e
equitativo.
Estas emoções negativas ou positivas
nos lançam no processo complexo de aprendizado e reflexão contínuos do como é a
vida, que além de intelectual e racional, é emocional e, por vezes, ambígua.
Dando oportunidade de crescimento e aprendizado dignos do que conclama o
filosofar ético.
Tudo isso colabora para
desenvolvermos uma compreensão mais profunda de nós mesmo e do mundo ao nosso
redor e nossa responsabilidade implícita ou explícita na ação no mundo, para o
mundo e face ao mundo.
A ética é um campo de estudo
essencial que nos ajuda a navegar no complexo mundo das decisões morais e a
viver uma vida mais plena e significativa do ponto de vista humano, da justiça
e da equidade.
O desafio está lançado e o tempo da demanda já e milenar.
Grato e atenciosamente,
Graduado em Filosofia Pela PUC - BH
e Pedagogia pela Faculdade São Luís de Jaboticabal
Mestre em História e Doutor em
Sociologia pela UNESP.
Membro da Academia
Luso-Brasileira de Artes e Poesias, cadeira 17.
Membro da Academia Ribeirão-Pretana
de Educação (ARE), cadeira 34.
Membro da Academia Ribeirãopretana
de Letras (ARL), cadeira 28
Currículo da Plataforma
Lattes: http://lattes.cnpq.br/5216264437176590
"Isso de querer ser
exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar
além" (Paulo Leminski)