segunda-feira, 6 de junho de 2022

Tic-tac

 Tic-tac

(Wlaumir Souza)

O tempo

É um deus devorador

Devora sonhos e esperanças

De bons e maus

Contrário a inflexibilidade

Segue dando novas oportunidades

A sonhadores e esperançosos

A Cada um e a todos e todas

Segue a cada dia dizendo

Acorda

Segue

Emende-se ou remende-se

Agarre seu desejo

E vá e se transforme

Numa dialética

Entre oportunidade e devorar

É o deus tempo o mais contraditório

Ao lidar com a liberdade

De ser e estar

Num contínuo infindo

É o deus menos lembrado

É na culpa o mais cultuado

Se tivesse feito assim

Se tivesse dito assim

Seguem as portas e janelas abertas

Salta na liberdade

E escolha no seu tempo

Tic-Tac



domingo, 29 de maio de 2022

Democracia

 

Democracia

(Wlaumir Souza)

 

Liberdade

 

Sou cativo

De mim mesmo

 

Do eu profundo

Afundado em nós

Sociais ou políticos

Quimera do sonhos culturais

 

Foste forjada na Filosofia

Vivida no Parlamento

E aclamada pelas multidões

 

Vai segue adiante

Dilatando seu alcance

Escandalizando a gente burguesa

Que outro te proclamava

Em alto e bom som

Com armas em punho

Nas Revoluções Constitucionalistas

 

Agora se travestiram de conservadores

Da ordem de exclusão

Da desordem da exploração

Da dialética da escravidão assalariada

 

Clama Democria

Por seus pares

O sufrágio universal

Os Direitos Humanos

O fim do essencialismo

Tão fundador e mantenedor

Da ordem dos desiguais

 



 

domingo, 15 de maio de 2022

Obsessão

 

Obsessão

(Wlaumir Souza)

O capitalismo e o capital

Unidos na produção

De coisas e obsessivos

Produz sem parar

Em série ou aparentemente exclusivo

Quer todos consumindo

Dia e noite

Enquanto se estiver acordado

Mesmo dormindo

Faz com que nada satisfaça

Sempre mudando a oferta e demanda

Faz brilhar os olhos

Como se fosse uma religião

Onde o Deus muda todo dia

A cada hora

A cada instante

A fração de satisfação não se detém

Não se mantém

O vazio é eterno

O vício grita

Passando de objeto em objeto

Não cessa na busca

De eterna insatisfação

Consome tudo

De gentes ao planeta

Consome tudo

Até as forças dos corpos

Que fabricam ou consomem

Num adoecer sem fim

Que se maquia em consumir

Sem sessar

Sem satisfazer

Sem sentir

Sem sabor

Sem sentido

Numa sucessão de objetos

Nada fálicos

Nada de nada

Na existência nadificante

De eterno consumir-se consumindo

Num sintoma sem fim da obsessão coletiva

Do capital e do capitalismo



segunda-feira, 9 de maio de 2022

Canô

 

Canô

(Wlaumir Souza)


Mãe

Não tem tradução

 

Midiáticas

Conhecidas dos filhos

 

Dona de tudo

Do passado

Do presente

 

O futuro em aberto



domingo, 24 de abril de 2022

Escolha

 

Escolha

(Wlaumir Souza)

No planeta Contemporâneo

Tudo é urgente

Urge na lógica do lucro

Impõe na métrica do capital

Fórmulas de autoajuda e autoestima

São construções publicitárias

Que substituem os milagres

De produzir cada vez mais

Faça tudo como se fosse a primeira vez

Faça tudo como se fosse a última vez

Escolha e faça e cumpra a ordem do produto

O que você prefere

A subjetividade é da mercadoria

Você é o fosse no presente do passado

Desígnio

A alegria da primeira vez

A tristeza da despedida

Ouse

O encanto da descoberta

O tédio da repetição

Eleja

A perda da pureza

O mecanismo de repetição

Escolha

Viver

Morrer

Mas produza

Reproduza o capital

O ser fosse desapareceu



segunda-feira, 18 de abril de 2022

Encontro

 Encontro

(Wlaumir Souza)

O Universo arquitetou o momento

As Galáxias planejaram o encontro

O abraço enlaçou nossos corações

Foi assim simples e direto

Uma troca de olhares visionários profundos

Duas frases ditas

E nossos corpos se juntaram num abraço

Coração a coração

Os dois no mesmo compasso ritmado

Em valsas de cantos de amor

Vivemos plenos

Um no amplexo do outro

Foi mágico

É encanto

Completamente amor

As fagulhas do Universo se realizaram

 

 


segunda-feira, 11 de abril de 2022

Rejeitados

 

Rejeitados

(Wlaumir Souza)

 

Passaram-se os dias

Transcorreram os meses

Findaram os anos

Depois

Quando o destino não mais resistia

Se reencontraram

Trocaram olhares e abraços

Lágrimas rolaram

E num silêncio cumplice

Sentiram as amarras das margens

Dos mares de lágrimas

Experimentaram a violência das margens

Da sociedade que viviam

Notaram o peso do não

E do consentimento a tudo que não eram

Tudo por um contexto

Que não ressurge mais

Nem das lágrimas                                                          

Dos olhares

E dos silêncios

Seguiram adianta em silêncio

Repetindo o mesmo erro

Das margens da história do passado-presente