segunda-feira, 11 de julho de 2022

Solidão

 

Solidão

(Wlaumir Souza)

Uns vêm

Outros veem

Raros são

Seguimos na estrada

Da busca eterna

De uma inalcançável completude

Quer fantasiada de amor ou felicidade

A vida em porvir

É um devir sem fim

De partidas e econtros

Uns seguem

Outros adormecem

Uns vêm

Outros veem

Raros são



sábado, 18 de junho de 2022

Filme “Jurassic word”: uma análise do ponto de referência étnico-racial

 

Filme “Jurassic word”: uma análise do ponto de referência étnico-racial

(Wlaumir Souza)

                Cresci vendo, nos filmes, a morte sistemática de pretos e pardos ( que juntos formam os negros). Não me lembro de produções que os negros terminassem felizes e vitoriosos com os abraços do par amoroso. Pelo contrário, tendiam a morrer – assassinados das mais diferentes formas – bem antes  do final do filme.

                 As mensagens eram claras: 1- Os brancos são os heróis, 2 – Os brancos têm famílias felizes no início e no final da história, 3 – Os negros não sobrevivem por muito tempo, 4 – Negros não são heróis ou vencedores, 4- Negros não têm final feliz em família.

                 Não poucas vezes, na sala de casa, falávamos – Vamos ver até quando o negro do filme sobrevive. Sabíamos de antemão que a vida do negro não seria relevante para toda a história.

                Este tipo de produção fílmica legitimava, “discretamente”, uma séria de estereótipos e preconceitos que nas ruas se traduziam em discriminação, racismo, e os traços de nazismo e fascismo “aceitáveis” pela sociedade branca, heterossexual e cristã.

                Jurasssic Word vem com um vento de esperança incompleto, contra esta tendência que ainda sobrevive em uma série de produções – do filme à novela, das tirinhas de gibi aos livros. Traz uma nova representação dos negros. Eles sobrevivem até o final da tramas. Mas, ainda não têm uma família feliz para compor ou para a qual retornar.

                É um início. Mas, ainda falta muito para uma representação adequada do universo negro.

                Seria de se esperar mais de um filme que aborda a questão de um planeta em sua diversidade de vidas e existências. Mas, é um bom começo, ainda que tardio, de uma nova era de produção fílmica. Pois, apesar de tudo, os negros são retratados com competências e habilidades admiráveis.

               Transportando para o plano da “realidade” as tramas onde os negros morriam antes do final justificavam uma sociedade que não via negros velhos pelas ruas, elevando ao absurdo do social, justificava a carnificina que se faz no cotidiano pelas forças repressoras do Estado.

                Mas, ainda fica um vazio. Se os negros não têm famílias para retornar, amores para viver, ainda se justifica a solidão negra, sobretudo da mulher negra. Não à toa que o militar negro que sobrevive ao ataque dos dinossauros teve amores, e a mulher negra lésbica é silenciada sobre esta história dos amores.

                Diga-me o que vês na arte que te direi qual o real que consegues ler e interpretar.



 

domingo, 12 de junho de 2022

Polo

Polo

(Wlaumir Souza)

Preconceito nos separa

Antítese

Desejo que nos atrai

Traídos

Distraídos

Distendidos

Na esquina da vida

Pela discriminação impingida

Segue a fantasia como realização

Fantasia do cheiro

Fantasia do toque

Fantasia do para sempre

Gozo inaudito

De repetir o de sempre

Não

 


 

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Tic-tac

 Tic-tac

(Wlaumir Souza)

O tempo

É um deus devorador

Devora sonhos e esperanças

De bons e maus

Contrário a inflexibilidade

Segue dando novas oportunidades

A sonhadores e esperançosos

A Cada um e a todos e todas

Segue a cada dia dizendo

Acorda

Segue

Emende-se ou remende-se

Agarre seu desejo

E vá e se transforme

Numa dialética

Entre oportunidade e devorar

É o deus tempo o mais contraditório

Ao lidar com a liberdade

De ser e estar

Num contínuo infindo

É o deus menos lembrado

É na culpa o mais cultuado

Se tivesse feito assim

Se tivesse dito assim

Seguem as portas e janelas abertas

Salta na liberdade

E escolha no seu tempo

Tic-Tac



domingo, 29 de maio de 2022

Democracia

 

Democracia

(Wlaumir Souza)

 

Liberdade

 

Sou cativo

De mim mesmo

 

Do eu profundo

Afundado em nós

Sociais ou políticos

Quimera do sonhos culturais

 

Foste forjada na Filosofia

Vivida no Parlamento

E aclamada pelas multidões

 

Vai segue adiante

Dilatando seu alcance

Escandalizando a gente burguesa

Que outro te proclamava

Em alto e bom som

Com armas em punho

Nas Revoluções Constitucionalistas

 

Agora se travestiram de conservadores

Da ordem de exclusão

Da desordem da exploração

Da dialética da escravidão assalariada

 

Clama Democria

Por seus pares

O sufrágio universal

Os Direitos Humanos

O fim do essencialismo

Tão fundador e mantenedor

Da ordem dos desiguais

 



 

domingo, 15 de maio de 2022

Obsessão

 

Obsessão

(Wlaumir Souza)

O capitalismo e o capital

Unidos na produção

De coisas e obsessivos

Produz sem parar

Em série ou aparentemente exclusivo

Quer todos consumindo

Dia e noite

Enquanto se estiver acordado

Mesmo dormindo

Faz com que nada satisfaça

Sempre mudando a oferta e demanda

Faz brilhar os olhos

Como se fosse uma religião

Onde o Deus muda todo dia

A cada hora

A cada instante

A fração de satisfação não se detém

Não se mantém

O vazio é eterno

O vício grita

Passando de objeto em objeto

Não cessa na busca

De eterna insatisfação

Consome tudo

De gentes ao planeta

Consome tudo

Até as forças dos corpos

Que fabricam ou consomem

Num adoecer sem fim

Que se maquia em consumir

Sem sessar

Sem satisfazer

Sem sentir

Sem sabor

Sem sentido

Numa sucessão de objetos

Nada fálicos

Nada de nada

Na existência nadificante

De eterno consumir-se consumindo

Num sintoma sem fim da obsessão coletiva

Do capital e do capitalismo



segunda-feira, 9 de maio de 2022

Canô

 

Canô

(Wlaumir Souza)


Mãe

Não tem tradução

 

Midiáticas

Conhecidas dos filhos

 

Dona de tudo

Do passado

Do presente

 

O futuro em aberto