domingo, 4 de julho de 2021

Irresponsabilidade

 

Irresponsabilidade

(Wlaumir Souza)

Eles se olharam

Se viram e se enxergaram

Trocaram sorrisos

Ele disse palavras doces

Frases encantadoras

Ela suspirou

Desperta de sua procura incessante

Ecoou os sonhos de uma existência

Aspirados nos giros da vida

Saltou sem olhar as alturas

Mergulhou como se o universo

Não fosse o bastante sem ele

Logos depois ele agitou as calças

Partiu sem olhar para trás

Eram de sentimentos rasos

O oceano que declamara

Ela mergulhou sem salva-vidas

Caiu em pedaços numa piscina furada

Repleta de fantasmas

Da irresponsabilidade afetiva

Que a perseguia

Naquela breve passagem

Pela face da terra

Até aquele átimo de sofreguidão



segunda-feira, 21 de junho de 2021

Juninas

 

Juninas

(Wlaumir Souza)

Noites de sonhos estrelados

As mulheres querem casamento

Os rapazes desejam festar

Os pais e avós comemoram a fartura das colheitas

Comilança e música e dança

Tudo perfeito na simplicidade dos campos

Abençoado pelos Santos do mês

Santos Antônio e Pedro e João

Os compadres se reencontram

As prosas são longas e os causos sem fim

Ficam todos aquecidos pela fogueira e pelo quentão

Viva a tradição

Que partiu do campo e se entronizou na cidade

Revivida e reinventada

Segue tornando o amor e natureza e a fartura  ancestrais

Demonstrações da fé e da esperança

Sem origem certa e sem fim à vista

O sol segue fertilizando

A lua persiste procriando

E as moças e o moços casando

Obra dos Santos fertilizantes

Da natureza e da humanidade

 



 

Juninas

 Juninas


(Wlaumir Souza)


Noites de sonhos estrelados

As mulheres querem casamento

Os rapazes desejam festar

Os pais e avós comemoram a fartura das colheitas

Comilança e música e dança

Tudo perfeito na simplicidade dos campos

Abençoado pelos Santos do mês

Santos Antônio e Pedro e João

Os compadres se reencontram

As prosas são longas e os causos sem fim

Ficam todos aquecidos pela fogueira e pelo quentão

Viva a tradição

Que partiu do campo e se entronizou na cidade

Revivida e reinventada

Segue tornando o amor e natureza e a fartura  ancestrais

Demonstrações da fé e da esperança

Sem origem certa e sem fim à vista

O sol segue fertilizando

A lua persiste procriando

E as moças e o moços casando

Obra dos Santos fertilizantes

Da natureza e da humanidade

 


 

segunda-feira, 14 de junho de 2021

 

ORGASMO

(Wlaumir Souza)



Geme de prazer

Transpira alegrias

Quer gritar

Se esbaldar sem culpa

Acabar com o calendário

Os horários de compromisso também

Desfilar no carnaval

Em carne viva

Este o desejo

Que foi sequestrado

Roubado pelo capital

Em nome do trabalho extenuante e excedente

Furtado pela publicidade e pela precariedade

Das horas que são dinheiro

Disciplinado pela ordem produtiva

Calado pela religião

Assassinado pelo calmante e antidepressivo

Segue na espreita

Aguarda uma vaga da vida

Nem que seja na vida

A base de químicos

Que prometem de forma incompleta

O que poderia ser delírio divino no humano




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

 

“É dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado.”: Bolsonaro - 2020

 

A música/oração cristã (católica? de São Francisco de Assis) muito bem sintetiza a cultura política patrimonialista do Brasil e a valida em contornos espirituais. Legitima a ordem ao mesmo tempo que subalterniza as frações de classe abandonadas pelo capitalismo. É dando obediência, submissão e cumplicidade ao patrimonialismo que se recebe cesta básica, emprego e acesso aos recursos do Estado.

Tanto PSDB, PT e agora Bolsonaro não abandonaram esta técnica de poder para manter a ordem política, econômica, social e cultural da Terra Brasilis.

Bolsonaro, visto por muitos como palhaço, ignorante, limitado e doentio, conseguiu fazer com que seus opositores cometessem o maior ato de ingenuidade nas lides políticas. A de considerar seu opositor “inofensivo ou subjugado ou vencido antes do combate”.

O palhaço ou o bobo da corte é aquele que diz anedoticamente o que está no campo da realidade, e que dito de forma nua e crua seria ofensiva ou criminosa, pra não dizer pecado. Não por acaso os ditos e feitos  mais medonhos de Bolsonaro foi encaixado, ingenuamente, como palhaçada. Como se não bastasse esse equívoco na consideração do opositor, ainda o chamam de doente. Sendo doente, aprofunda-se a consideração acima e retira dele a responsabilidade pelo que diz e faz. Sendo doente não cabe responsabilidade ou condenação, mas, antes, apoio terapêutico. Visto como coitado, o mito venceu.



Neste imbróglio da oposição que afirma a “ingenuidade ignorante” de um Bolsonaro, se vê crescer seu poder no segundo biênio de seu mandato. E, até aqui, parece que não será o último, diante do apoio que o mito, que tuto diz e fala inocentemente, ainda tem no eleitorado.

Uma das articulações de Bolsonaro que foi de mestre, e o cacifa para a eleição presidencial de 2022, está posto, em princípio e em tese, na eleição do Presidente do Senado e da Câmara dos Deputados que acena com a possiblidade de ampliar o seu poder sobre o Congresso e as oligarquias políticas e seus caciques.

Usando o lema do “É dando que se recebe. É perdoando que se é  perdoado” conseguiu aliar-se ao Centrão, que foi tão criticado durante a Campanha e parte do primeiro biênio do governo Bolsonaro. Este sabe que não se governa no Brasil diante de três problemas: a oposição do centrão; a investigação e condenação de corrupção; e a não cooptação de votos por meio de verbas, cargos e outras formas mais.

Neste campo do poder e resolvido a governar o aceno para a governabilidade foi dada no dia 7 de outubro de 2020. Em evento público disse: - “Acabei com a Lava-Jato porque não tem mais corrupção no governo”. Não por acaso que neste evento, no Palácio do Planalto, o Presidente foi aplaudido pelos presentes. O projeto de congraçamento estava mais que lançado, oficializado. O lançamento do projeto se deu com a exclusão de Sérgio Moro do Governo de Bolsonaro, em 24 de abril de 2020.

Com esta frase - “Acabei com a Lava-Jato porque não tem mais corrupção no governo” - o Presidente chancelava a passagem histórica e histriônica de Romero Jucá “do grande acordo nacional com o Supremo, com tudo”, em 2016. “Com tudo”  inclui os oponentes. Acabar, ou inviabilizar, com a Lava-Jato, ato feito por Bolsonaro, aliançava direita, esquerda e centro. E punha fim a Sangria desejada pelo PSDB no momento em que o mesmo partido poderia entrar na mira da Lava-Jato.

Não por acaso que 1)a pá de cal na Lava-Jato foi realizada logo após a eleição dos Presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, no início de fevereiro  de 2021. O congraçamento foi pautado pelo Centrão, entre liberação de verbas, cargos e outras coisas mais. Quais outras coisas mais, entre elas pode-se citar Ministérios, novos ou já existentes. 2) O fiel da balança legislativa, o Senado, teve seu Presidente eleito com votos de todos os espectros políticos.

O Congraçamente está em curso. Resta saber se incluirá a “inocência de Lula” a ser decidida em breve. E, afinal e ao cabo, os maiores condenados serão Sérgio Moro e seu cúmplice(?) Dallagnol por terem servido, a seu tempo, aos interesses imediatos das oligarquias políticas. Mas, descartados por se oporem a Ordem e  Progresso patrimonialista do Brasil? Visto que os interesses imediatos das oligarquias políticas, são descartáveis, assim com seus atores, o que não se diz dos de longa duração, qual seja, “É dando que se recebe”.

Assim, Bolsonaro vai se viabilizando para seguir mais quatro anos além dos quase dois que ainda restam.

O povo? A classe média? Ora o povo! Que assista bestializado entendendo apenas do pão e circo. Circo, aliás, substituído por igrejas. E, o pão, por socorros emergenciais. Numa polarização fictícia que só faz ampliar a fome e o ranger de dentes dos mais pobres.  Ora a classe média! Começa a perceber que em meio a um governo liberal está iniciando a naufragar e que vivia bem melhor nos governos “socialistas” do PT e do PSDB, sobretudo no primeiro. Mas, a ausência de identidade de classe faz fingir a si e aos demais da mesma classe média para não de dizer pobre e em maior empobrecimento.

Leitor. Este texto é apenas mais uma hipótese para se pensar além da polarização.

 

 

 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Bolsonarismo e a inserção subalterna no globo


Dentre os tantos temas e abordagens políticos, econômicos e sociais que separam o projeto de Bolsonaro e de Lula para o Brasil está o modelo de inserção internacional de nosso país e nação na globalização.
Enquanto o projeto da esquerda l tinha como meta uma inserção igualitária no plano internacional,  a ideia de Bolsonaro é de se fixar como país dependente do apoio das grandes potências para sobreviver até o final do mandato, se tanto.
O lulopetismo tinha um projeto de investimento  em educação superior de qualidade associado ao modelo de pesquisa ,com bolsas no estrangeiro, para viabilizar a tomada de conhecimento avançado dos grandes e médios centros de pesquisa internacionais para garantir os avanços da soberania nacional.
O Bolsonarismo, por outro lado, vê na ciência um agente a se combater por seu modo crítico de pensar e produzir novas interpretações da realidade. Para além disto, desmonta o ensino superior de qualidade por meio de cortes de verbas. Soma-se a isto críticas incautas, para dizer o mínimo, do fenômeno de fake News, que permanece como mote de sobrevivência eleitoral, no que diz respeito aos Campi universitários.
Assim, enquanto um se apoiava no avanço da ciência via educação superior; o outro, quer se manter no poder baseado em um moralismo barato que nada acrescenta de positivo aos avanços do projeto iluminista ou humanista sancionado majoritariamente pelo Ocidente e pelos países centrais do capitalismo ocidental.
A enquanto para um a meta é inserção autônoma, para o outro a inserção subalterna é a resposta. Esta tendência se ancora não apenas na matriz de exportação agrária, característica do Brasil desde a Colônia – e agora chamada de agronegócio – mas, também, no patriarcado – combatido pela maioria das universidades via teoria de gênero – na religião, que se encontra cada vez mais limitada em seu discurso mágico face aos avanços da ciência para as camadas mais altas e único refúgio ao desespero dos mais pobres face ao desmonte das políticas; e no velho e bom patrimonialismo, via militares e judiciário, para garantir a ordem exploradora.
Para garantir a inserção subalterna, portanto, é necessária a alta do dólar, a redução da educação para o nível técnico, com salários e direitos trabalhistas baixos para assegurar a exploração das massas brasileiras pela potências internacionais, ou seja, redução do valor do salário do brasileiro no contexto global.
Destarte, mais do que ganhos para o brasileiro médio, o que se acena é com a redução do valor agregado da mão de obra brasileira para garantir, via subserviência, a exploração maciça do povo brasileiro.
 Na outra frente deste projeto, está a classe média, não aquela que recebe menos de dez mil reais por mês; mas, aquela que economiza milhões e se põe como intermediária entre o capital internacional e o nacional e há muito deu as cotas as frações inferiores com as quais tem de interagir no cotidiano do trabalho.

Com isso, o velho e bom papel da religião para garantir a subserviência, onde ver a dor , sofrimento, doença e miséria como provas a se resignar torna-se, não apenas necessária, como urgente.
Mas, os títeres desse projeto sabem que a mão Divina pode não ser o suficiente para segurar as massas que podem, em um sobressalto de wattsapp, invadir as ruas diante da fome que se aproxima. Diante disto faz mister a ameaça do chicote via AI-5 tanto pelo pimpolhos do Presidente como por parte do Ministro da Economia, o maios responsável pela inserção subalterna, como do Presidente que o faz “brincando” com fogo.
Todavia, o Presidente dos EEUU quer mais que isto. E, para tanto, não medirá esforços para fazer do Brasil uma colônia sem direitos alguns, quer para o pobres ou para a classe intermediária. Bangladesh que se cuide, Bolsonaro quer para o povo o seu lugar na economia global para sustentar um crescimento pífio baseado na exportação, no baixo salário, ausência de direitos trabalhistas e sociais, e quiçá, políticos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Notáveis da Justiça


Ao longo da história várias personalidades notabilizaram-se pela contribuição que deram ao direito. Mais que isto, para além de aplicadores da lei, construíram leis ou fizeram interpretações jurídicas sem precedentes que influenciaram o futuro de uma nação ou da civilização. Estes advogados e juristas são denominados de notáveis da justiça por sua grande contribuição á humanidade, à dignidade da pessoa humana, aos direitos subjetivos e fundamentais.
Para falarmos dos notáveis da justiça temos o caso dos Estados Unidos onde o debate, que deu origem à Constituição da República Democrática,  realizou-se por meio dos jornais deu origem ao livro clássico “Os artigos federalistas (1787-1788)”, onde se reúnem os artigos que discutiram a construção da primeira nação contemporânea democrática e republicana. Os notáveis deste debate eram james Madison, Alexander Hamilton e John Jay. Thomas Jefeerson fez a seguinte consideração sobre estes textos “O melhor comentário jamais escrito sobre princípios de governo.”

Quanto ao Brasil, um notável da justiça é Ruy Barbosa de Oliveira (1849-1932). Com todo o seu saber em direito construiu a Primeira Constituição  Republicana do Brasil. Com o poder de seu intelecto brilhante foi coautor, da Constituição da Primeira República, em parceria com Prudente de Moraes. Dentre seus ideais destacava-se o federalismo, a defesa dos direitos e garantias individuais.



Alguns exemplos históricos são possíveis de serem encontrados representados na arte, como o caso do Julgamento de Nuremberg (1945-1946). oficialmente Tribunal Militar Internacional vs. Hermann Göring et al.  Terminada a Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945) foi ajuizada a questão da culpabilidade dos Nazistas no que seria conhecido por crimes de guerra. Para além disto, influenciaram as práticas científicas com seres humanos ao influenciarem os princípios para a pesquisa que ficou conhecido como o Código de Nuremberg (1947). Ou seja, suas atitudes jurídicas ultrapassaram as esferas dos tribunais e do encarceramento histórico tradicional, ao punitivismo, e geraram uma nova disciplina e entendimento no que tange ao direito e seus sujeitos. Fizeram, ancorados na história da humanidade, interpretações jurídicas que ultrapassaram sua época e geraram uma nova Era Jurídica e que deu origem ao Tribunal Penal Internacional , com sede em Haia.
Os impactos do Julgamento de Nuremberg podem ser vistos ainda hoje no trato entre as nações em guerra ou em paz, no respeito ao ser humano em pesquisa que passou de um ser passivo a um ser ativo, ou seja, voluntário consciente. O Julgamento de Nurembeg teve impactos políticos, sociais, éticos, científicos e sociais para a história – mesmo que paire a crítica de ser a justiça dos vitoriosos.
Em geral, os membros das Supremas Cortes dos Países são considerados por seus pares como notáveis, todavia, para serem notáveis da justiça precisam, no exercício da função, dar tal contribuição à sociedade e a civilização que torne real o que deles era esperado quando de suas indicações para os cargos: contribuição histórica das garantias fundamentais. E, como não poderia deixar de ser, grandes feitos recebem além do reconhecimento, grandes críticas.