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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

 

“É dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado.”: Bolsonaro - 2020

 

A música/oração cristã (católica? de São Francisco de Assis) muito bem sintetiza a cultura política patrimonialista do Brasil e a valida em contornos espirituais. Legitima a ordem ao mesmo tempo que subalterniza as frações de classe abandonadas pelo capitalismo. É dando obediência, submissão e cumplicidade ao patrimonialismo que se recebe cesta básica, emprego e acesso aos recursos do Estado.

Tanto PSDB, PT e agora Bolsonaro não abandonaram esta técnica de poder para manter a ordem política, econômica, social e cultural da Terra Brasilis.

Bolsonaro, visto por muitos como palhaço, ignorante, limitado e doentio, conseguiu fazer com que seus opositores cometessem o maior ato de ingenuidade nas lides políticas. A de considerar seu opositor “inofensivo ou subjugado ou vencido antes do combate”.

O palhaço ou o bobo da corte é aquele que diz anedoticamente o que está no campo da realidade, e que dito de forma nua e crua seria ofensiva ou criminosa, pra não dizer pecado. Não por acaso os ditos e feitos  mais medonhos de Bolsonaro foi encaixado, ingenuamente, como palhaçada. Como se não bastasse esse equívoco na consideração do opositor, ainda o chamam de doente. Sendo doente, aprofunda-se a consideração acima e retira dele a responsabilidade pelo que diz e faz. Sendo doente não cabe responsabilidade ou condenação, mas, antes, apoio terapêutico. Visto como coitado, o mito venceu.



Neste imbróglio da oposição que afirma a “ingenuidade ignorante” de um Bolsonaro, se vê crescer seu poder no segundo biênio de seu mandato. E, até aqui, parece que não será o último, diante do apoio que o mito, que tuto diz e fala inocentemente, ainda tem no eleitorado.

Uma das articulações de Bolsonaro que foi de mestre, e o cacifa para a eleição presidencial de 2022, está posto, em princípio e em tese, na eleição do Presidente do Senado e da Câmara dos Deputados que acena com a possiblidade de ampliar o seu poder sobre o Congresso e as oligarquias políticas e seus caciques.

Usando o lema do “É dando que se recebe. É perdoando que se é  perdoado” conseguiu aliar-se ao Centrão, que foi tão criticado durante a Campanha e parte do primeiro biênio do governo Bolsonaro. Este sabe que não se governa no Brasil diante de três problemas: a oposição do centrão; a investigação e condenação de corrupção; e a não cooptação de votos por meio de verbas, cargos e outras formas mais.

Neste campo do poder e resolvido a governar o aceno para a governabilidade foi dada no dia 7 de outubro de 2020. Em evento público disse: - “Acabei com a Lava-Jato porque não tem mais corrupção no governo”. Não por acaso que neste evento, no Palácio do Planalto, o Presidente foi aplaudido pelos presentes. O projeto de congraçamento estava mais que lançado, oficializado. O lançamento do projeto se deu com a exclusão de Sérgio Moro do Governo de Bolsonaro, em 24 de abril de 2020.

Com esta frase - “Acabei com a Lava-Jato porque não tem mais corrupção no governo” - o Presidente chancelava a passagem histórica e histriônica de Romero Jucá “do grande acordo nacional com o Supremo, com tudo”, em 2016. “Com tudo”  inclui os oponentes. Acabar, ou inviabilizar, com a Lava-Jato, ato feito por Bolsonaro, aliançava direita, esquerda e centro. E punha fim a Sangria desejada pelo PSDB no momento em que o mesmo partido poderia entrar na mira da Lava-Jato.

Não por acaso que 1)a pá de cal na Lava-Jato foi realizada logo após a eleição dos Presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, no início de fevereiro  de 2021. O congraçamento foi pautado pelo Centrão, entre liberação de verbas, cargos e outras coisas mais. Quais outras coisas mais, entre elas pode-se citar Ministérios, novos ou já existentes. 2) O fiel da balança legislativa, o Senado, teve seu Presidente eleito com votos de todos os espectros políticos.

O Congraçamente está em curso. Resta saber se incluirá a “inocência de Lula” a ser decidida em breve. E, afinal e ao cabo, os maiores condenados serão Sérgio Moro e seu cúmplice(?) Dallagnol por terem servido, a seu tempo, aos interesses imediatos das oligarquias políticas. Mas, descartados por se oporem a Ordem e  Progresso patrimonialista do Brasil? Visto que os interesses imediatos das oligarquias políticas, são descartáveis, assim com seus atores, o que não se diz dos de longa duração, qual seja, “É dando que se recebe”.

Assim, Bolsonaro vai se viabilizando para seguir mais quatro anos além dos quase dois que ainda restam.

O povo? A classe média? Ora o povo! Que assista bestializado entendendo apenas do pão e circo. Circo, aliás, substituído por igrejas. E, o pão, por socorros emergenciais. Numa polarização fictícia que só faz ampliar a fome e o ranger de dentes dos mais pobres.  Ora a classe média! Começa a perceber que em meio a um governo liberal está iniciando a naufragar e que vivia bem melhor nos governos “socialistas” do PT e do PSDB, sobretudo no primeiro. Mas, a ausência de identidade de classe faz fingir a si e aos demais da mesma classe média para não de dizer pobre e em maior empobrecimento.

Leitor. Este texto é apenas mais uma hipótese para se pensar além da polarização.

 

 

 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Bolsonarismo e a inserção subalterna no globo


Dentre os tantos temas e abordagens políticos, econômicos e sociais que separam o projeto de Bolsonaro e de Lula para o Brasil está o modelo de inserção internacional de nosso país e nação na globalização.
Enquanto o projeto da esquerda l tinha como meta uma inserção igualitária no plano internacional,  a ideia de Bolsonaro é de se fixar como país dependente do apoio das grandes potências para sobreviver até o final do mandato, se tanto.
O lulopetismo tinha um projeto de investimento  em educação superior de qualidade associado ao modelo de pesquisa ,com bolsas no estrangeiro, para viabilizar a tomada de conhecimento avançado dos grandes e médios centros de pesquisa internacionais para garantir os avanços da soberania nacional.
O Bolsonarismo, por outro lado, vê na ciência um agente a se combater por seu modo crítico de pensar e produzir novas interpretações da realidade. Para além disto, desmonta o ensino superior de qualidade por meio de cortes de verbas. Soma-se a isto críticas incautas, para dizer o mínimo, do fenômeno de fake News, que permanece como mote de sobrevivência eleitoral, no que diz respeito aos Campi universitários.
Assim, enquanto um se apoiava no avanço da ciência via educação superior; o outro, quer se manter no poder baseado em um moralismo barato que nada acrescenta de positivo aos avanços do projeto iluminista ou humanista sancionado majoritariamente pelo Ocidente e pelos países centrais do capitalismo ocidental.
A enquanto para um a meta é inserção autônoma, para o outro a inserção subalterna é a resposta. Esta tendência se ancora não apenas na matriz de exportação agrária, característica do Brasil desde a Colônia – e agora chamada de agronegócio – mas, também, no patriarcado – combatido pela maioria das universidades via teoria de gênero – na religião, que se encontra cada vez mais limitada em seu discurso mágico face aos avanços da ciência para as camadas mais altas e único refúgio ao desespero dos mais pobres face ao desmonte das políticas; e no velho e bom patrimonialismo, via militares e judiciário, para garantir a ordem exploradora.
Para garantir a inserção subalterna, portanto, é necessária a alta do dólar, a redução da educação para o nível técnico, com salários e direitos trabalhistas baixos para assegurar a exploração das massas brasileiras pela potências internacionais, ou seja, redução do valor do salário do brasileiro no contexto global.
Destarte, mais do que ganhos para o brasileiro médio, o que se acena é com a redução do valor agregado da mão de obra brasileira para garantir, via subserviência, a exploração maciça do povo brasileiro.
 Na outra frente deste projeto, está a classe média, não aquela que recebe menos de dez mil reais por mês; mas, aquela que economiza milhões e se põe como intermediária entre o capital internacional e o nacional e há muito deu as cotas as frações inferiores com as quais tem de interagir no cotidiano do trabalho.

Com isso, o velho e bom papel da religião para garantir a subserviência, onde ver a dor , sofrimento, doença e miséria como provas a se resignar torna-se, não apenas necessária, como urgente.
Mas, os títeres desse projeto sabem que a mão Divina pode não ser o suficiente para segurar as massas que podem, em um sobressalto de wattsapp, invadir as ruas diante da fome que se aproxima. Diante disto faz mister a ameaça do chicote via AI-5 tanto pelo pimpolhos do Presidente como por parte do Ministro da Economia, o maios responsável pela inserção subalterna, como do Presidente que o faz “brincando” com fogo.
Todavia, o Presidente dos EEUU quer mais que isto. E, para tanto, não medirá esforços para fazer do Brasil uma colônia sem direitos alguns, quer para o pobres ou para a classe intermediária. Bangladesh que se cuide, Bolsonaro quer para o povo o seu lugar na economia global para sustentar um crescimento pífio baseado na exportação, no baixo salário, ausência de direitos trabalhistas e sociais, e quiçá, políticos.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O fim da Era dos Direitos: Bolsonaro e o desmonte da classe média trabalhadora


Como excelentemente descreveu e analiso K. Marx, ao sistema capitalista mais que trabalhadores, interessa manter uma quantidade de trabalhadores sem trabalho para que não ocorresse pressão sobre salários e direitos. A isto ele denominou exército de reserva. Este seria de maior ou menor monta dependendo de ser um dos países centrais do capitalismo ou periférico, nesta ordem, crescente o número de pessoas atinentes ao exército de reserva para equilibrar o mercado de trabalho, em conformidade ao interesses capitalistas liberais.
Não por acaso o economista John M. Keynes, ao criticar o sistema liberal ancorado em Adam Smith, assevera que este não leva em consideração o desemprego na sociedade, pois, este faria parte do jogo em favor da classe capitalista.
Com a Quarta Revolução Industrial, a globalização e o neoliberalismo, todos em sintonia a ampliação da exploração do trabalhador em favor do capital, far-se-á ampliar o exército de reserva para além das demandas de equilíbrio do mercado de trabalho capitalista nos moldes liberais. O que se tem agora, é um excedente de trabalhadores que compõem, ainda, uma pressão para a não demanda de direitos e melhores salários, mas, para além disso, são os desempregados estruturais, que só fazem crescer na sociedade neoliberal globalizada da Quarta Revolução Industrial chegando a atingir parte das camadas médias.
Os avanços tecnológicos aliados á globalização da economia fizeram com que ocorresse uma competição, ainda mais acirrada, por investimentos de capital, e com isto os países periféricos, alinhados com o neoliberalismo, Caso de Bolsonaro, precisam depreciar o preço e o valor de seus trabalhadores, enquanto média salarial, sobretudo, pra se fazerem atraentes a este capitalismo em nível planetário.
A primeira etapa é o desemprego estrutural com o seu consequente número crescente de desalentados. Com isso sede a pressão nos salários e os direitos outrora defendidos passam a ser visto como risco à empregabilidade diante do discurso do medo propalado pelos neoliberais. Não por acaso Bolsonaro assevera que suas reformas – com destaque até aqui para  a previdência e a nova reforma trabalhista em tramitação, chamada de Reforma da “Liberdade econômica”. Sim, liberdade econômica de explorar mais profundamente  o trabalhador sem que o trabalho detenha resquícios da era dos direitos trabalhistas. – são para que haja algum emprego.
A segunda etapa, e que entra em vigor com a Reforma da Previdência, é a efetivação do Estado do necropoder, a necropolítica. Os trabalhadores indesejados são empurrados para a morte precoce pela ausência de direitos não só trabalhistas, mas sociais e de políticas públicas como saúde e educação. Privatizar saúde e educação com o desmonte do SUS e da Universidade Pública são os passos seguintes. E, neste ponto o trabalhor realiza suas funções até a exaustão do corpo e sem meios de acesso a saúde e repouso remunerado tende a morrer mais jovem, assim, e como quase sempre na história do capitalismo, financia a aposentadoria dos mais ricos uma vez que pela necropolítica está condenado a morrer antes da expectativa de vida alongada pelas frações de classe mais privilegiadas.
Toda a estrutura de saúde montada pelas universidades públicas e pelo SUS é ainda mais precarizado e, depois, privatizados, conduzindo a morte de milhões de trabalhadores que não mais eram contabilizados nas estatísticas de desemprego por serem desalentados ou  desempregados estruturais. São os indesejáveis do sistema uma vez que não cumprem nem o papel de exército de reserva.

       Mais que isto, até a fração de classe média aliada sistemática da classe capitalista se vê abandonada a própria sorte uma vez que a Era dos Direitos não mais é necessária e as Universidades Públicas que lhes garantiam privilégios pelo saber é desmontada. São igualados assim a frações de classes mais subalternas pela perca de direitos históricos ao qual tendiam a se posicionar contra por pensar como capitalista embora não o sejam. A classe média é abandonada a própria sorte também, pois com a Quarta Revolução Industrial não mais é necessário um grupo numericamente significativo com pensamento crítico.
Por isto a primazia não estaria mais no Estado Democrático de Direito, mas, antes, pura e simplesmente no Estado Capitalista de Direito. Com isso juízes passam a julgar não em conformidade com a lei, mas, antes, orientados pelas decisões políticas calculadas em custas. Não por acaso o avanço da ausência de concursos para professores na Educação Básica, onde o concurso é substituído por Organizações Sociais e ONGs na prestação de serviço ao Estado, o que garante certo controle ideológico da atuação do professor precarizado e temporário, tem avançado sem que, até agora, o judiciário se posicione contra.
É o desmonte da sociedade na qual cresci e me eduquei. É o neoliberalismo selvagem que, por hora, faz seu discurso de que só há crescimento econômico se não houver direitos e, até aqui, só perdemos direitos trabalhistas, sociais e de cidadania sem que haja crescimento econômico que era esperado para julho, segundo o Ministro da Economia Paulo Guedes. Estamos em agosto.
Diante da realidade neoliberal de descontrução de empregos via Quarta Revolução Industrial e Globalização, já diz, o mesmo ministro que não será fácil a retomada econômica. Que retomada? Afinal para o sistema neoliberal selvagem, do qual faz parte o atual presidente, não se planeja ou prevê pleno emprego, como era almejado por Keynes, alcunhado no Brasil de Comunista, uma vez que foi implementado pelo Partido dos Trabalhadores.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

O palhacismo ou a tragicomédia de si mesmo: Bolsonaro


O palhacismo é uma técnica de controle de corpos e mentes que oculta, enquanto estratégia de poder, na operacionalização do gracejo e da pilhéria política. Ele se traveste de aparente ignorância generalizada, para se fazer de infantil e não temerária. A irresponsabilidade é sua nota de toque onde suas falas agressivas e depreciativas encontram respaldo no engodo dos limites intelectuais cada vez mais estreitos do personagem embasados em preconceitos e discriminações construídas na história do escravismo brasileiro.
No palhacismo de Bolsonaro, a disputa se faz em todas as áreas; até no controle do significado das palavras, que se distorcem e se desdobram com o passar dos embates intestinais mais primitivos do ser humano na busca de poder, controle e exploração. Assim, as falas-práticas desmedias são seguidas de explicações como não sei nada, ou seja, sou inofensivo, não causarei danos, não se preocupe comigo, sou apenas mais um palhaço para divertir a plateia egoísta que se vê no espelho da discriminação que subjuga social, econômica e politicamente.
O centro do palhacismo é a antintelectualidade, a negação da racionalidade propalada como elementos causadores de danos à humanidade. Risco no qual não se incorre na irresponsabilidade do palhacismo. Por isso, ministros são aparentemente atores, que vez ou outra, são depenados em público pelo grande palhaço que não quer o mal, embora o cause como centro de suas políticas.
Intelectual é o risco. O palhaço aliado ao pensamento mágico religioso a cura. A ingenuidade de má fé, que articula nos bastidores e encena o espetáculo via redes sociais, para asseverar sua irresponsabilidade intelectual que tantos danos causam à “liberdade, igualdade e fraternidade”. Destarte, foge da responsabilidade e a terceiriza como forma de escamotear um projeto bem articulado de militarização, exclusão, dependência, exploração, misoginia, racista, homofóbico e especista.

Se o palhacismo está no picadeiro do planalto é devido a seus sufragadores que se comportam de forma idêntica, agindo de forma irracional nas redes sociais, e dizendo que as ameaças articuladas de militarização, exclusão, dependência, exploração, misoginia, racismo, homofóbica e especista não passam de piadas, de força de expressão, de brincadeira. Envergonhados diante da plateia internacional que assiste assombrada o espetáculo da anti-democracia por vias aparentemente democráticas, ocultam-se na pilhéria e no gracejo.
Desta forma, não querem ser responsáveis pelos efeitos de seus votos, esta a essência do palhacismo, a irresponsabilidade com o todo social em nome dos particularismos, de frações de classe dominante, das maiorias de poder, controle e exploração.

Negar o papel fundamental das Universidades e do saber científico é apenas uma gorjeta deste projeto de subjugar as classes trabalhadoras ao modelo de capital neoliberal onde as percas de direitos conquistados arduamente, sobretudo no último século, é a  meta. A intento final é retirar da Constituição da função social do Estado e da propriedade.  Salve-se quem puder diante deste contrato social altamente excludente.
É um baile de máscaras o palhacismo de Bolsonaro e seus seguidores incontestes onde o que é encenado é a farsa de si mesmo, afinando os acordes da regência de interesses ocultos ou inconfessos na esfera pública. Assim foi ao assumir o cargo de Presidente da República quando, a Primeira Dama, encenou a centralidade da mulher e do discurso de libras. Como se fosse um aceno para as minorias em questão. Pouco tempo depois acabou com a institucionalização dos interesses das pessoas especiais. O mesmo vemos agora com a educação superior e básica pública que sofreram cortes que podem inviabilizá-las.
Esta encenação de contenção de gastos oculta interesses típicos do neoliberalismo, única faceta que obliteram: reduzir investimos nos serviços públicos para os sucatear e justificar o avanço do capital privado nesta área. O mesmo capital privado que apoio todo o processo de impedimento de Dilma Rousseff e que agora querem avançar em áreas estratégicas na construção da autonomia da nação.
Que siga o baila de máscaras na Democracia Republicana, posto que foram legitimamente eleitos. Resistam os que não fazem parte da festa, pois, calar é consentir com a orquestração do poder que se quer dissimular em palhacismo para não alardear os incautos eleitores do dividir para governar.
Almeja-se o conflito de instituições, ocultas pelo palhacismo do ator principal e seu asseclas , para esgarçar a democracia e justificar a ampliação do autoritarismo, uma vez que se diz em público que o Brasil é “ingovernável fora de conchavos”. Não os conchavos da democracia, mas, antes e sobretudo, os do autoritarismo militarizado talvez, até sem Congresso, para viabilizar as reformas – dentre elas sobretudo a da previdência e avanço da restrição os direitos do trabalhador –  que nos colocarão de joelhos ao capital internacional financeiro e industrial 4.0. Mas, tudo ao som de uma boa piada discriminatória e preconceituosa ao gosto do palhacismo que já tem dólar a mais de quatro reais, queda em dois meses seguidos de bolsa de valores e crescimento econômico negativo, o que nos coloca mais uma vez à beira da estagnação inflacionária.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

A negação do trabalhador no (des)governo Bolsonaro: Viva o dia do trabalho!


Um governo (neo)liberal, como é o caso de Bolsonaro, em meio a Revolução da Indústria 4.0 adquire novas características ao final da segunda década do século XXI. Dentre estes distintivos está a negação da relação capital e trabalhador, mas sem negar o trabalho. Até a Terceira Revolução Industrial não se negava o trabalhador com a virulência que se vê nos dias de hoje. O trabalhador tornou-se peça incomoda ao atual jogo de poder-capital.
A Revolução 4.0 possibilita pela primeira vez na história da humanidade, que se realize trabalho sem trabalhador, visto que as máquinas são capazes de se comunicarem entre si e executar quase todas as funções que outrora eram atividades especificamente humanas apesar das Revoluções Industriais que a precedeu.
Neste ponto, o palhacismo de Bolsonaro tem a função específica de ocultar a realidade ao trabalhador que pensa ser, ainda, alvo positivo das políticas, mas, antes e sobretudo é posto ainda mais à margem pelas engrenagens do poder de Estado.
Um dos primeiros sinais neste sentido foi a extinção do Ministério do Trabalho. Esta era reposta do futuro governo, em 2018, e realizado em 2019, para a maior crise de emprego do Brasil. A negação de um Ministério que tinha 88 anos de idade e tinha por papel reconhecer nas relações de trabalho a dialética entre trabalhador e capital. Sem o Ministério do Trabalho e o fim dos Conselhos Federais o governo vai se notabilizando pela exclusão do trabalhador-cidadão do Estado. Resta apenas a via de acesso burguesa do capitalista por suas instituições de representação que tanto apoio deram à tomada do poder por Temer.
Mais que isto, além de se negar a representação do trabalhador no Estado, o Estado, negando a dialética, se declara como servo do capital ao anunciar via fala do Presidente no dia do Trabalho voltado exclusivamente ao empresariado ao faltar da facilidade de abertura de empresas. Com isto sinaliza para o fim do trabalho como o conhecemos até agora na relação empregado-empregador. É um sinal de pejotização, que a Reforma Trabalhista unida a Reforma da Previdência, trarão como quase única forma de empregabilidade no mercado privado, primeiro e, depois, no funcionalismo público.
O império da máquina inteligente trará a ampliação da marginalização do trabalhador que não se vê mais representado no Estado, a não ser por breves vozes da oposição, embora o trabalho ainda exista, mas nos moldes da Revolução 4.0.

Um dos  sinais deste devastador cenário pode ser visto na educação a distância que hora quer se chamar de estudos a distância. A relação de educação pressupunha professor-aluno, ou seja, trabalho pedagógico contínuo. Ao passar a falar em estudo a distância o trabalho do professor perde a relevância para além da redação de apostilas e uma intervenção ou outra.  E, neste ponto, o professor perde a remuneração por autoria-leitura, como é o caso dos livros, e passa a receber por autoria-apostila. Recebe uma única vez por um material lido/estudado por milhões de acesso. Esse o cenário da Revolução 4.0 onde o trabalhador é negado a própria subsistência, embora, ainda exista trabalho.
Neste conjunto, no dia do Trabalho, e não do trabalhador visto que via a dialética histórica entre trabalhador e capital, passou a ser o dia do trabalho via máquina e capital, onde a Reforma da Previdência e Trabalhista não visam a criação de novos postos a seres humanos, mas, a garantia institucional de exploração da mão de obra humana.
É o Capital acima da sociedade patrocinada pelo Estado excludente. E, para isto retirar as anuidades obrigatórias dos conselhos de classe é apenas mais um passo na não representação do trabalhador, onde a não contribuição obrigatória dos sindicatos foi apenas mais um capítulo.
Tudo ao capital e à máquina e nada ao trabalhador, mesmo que este seja empreendedor. E,  o espetáculo do palhacismo bolsonariano visa apenas ocultar estas engrenagens e culpar o efeito como se ele fosse a causa.
E, já que é para se excluir o trabalhador das relações com o capital, por quais razões manteria o Estado Universidades de qualidade uma vez que a meta é dependência do capital internacional e suas tecnologias? É um projeto de subalternidade dependente, inclusive e sobretudo, intelectual.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Bolsonaro, a democracia e o palhacismo político


O palhacismo na política é a arte de fazer emergir nas pessoas o que têm de mais primitivo na busca da sobrevivência, quer seja de seus corpos ou de suas mentes e mentalidades. Usando da subversão da ordem política, racional e até do léxico elege o comportamento piadístico de ironizar o outro como modo de revelar suas verdades ao espelho. Assim, o palhacismo encontra eco nos demais Narcisos que nada vêm além de seus interesses próprios. Com isto reconstrói a realidade invertendo a realidade em prol de seus interesses políticos e pessoais. Nada melhor que o palhaçismo para dizer os desejos mais ocultas e reprimidas pelo contrato social democrático constitucional.
Palhacismo não é como os demagogos que prometem o impossível para se eleger. Pelo contrário, nada ou quase nada prometem e no que se comprometem é para subverter a ordem existente enquanto pacto de racionalidade política pelos Direitos e pelas Políticas. Caçoam dos esforços históricos da humanidade por uma sociedade mais justa, como fora prometida na Revolução Burguesa por excelência, a Francesa, ao ter como emblema parte do lema da maçonaria: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Nesta subversão de ordem, via exclusão dos diferentes, em nome da nova ordem que superaria as fissuras denunciadas via piada revisionista é que se pode alocar o debate do significado de democracia e liberdade de imprensa para Bolsonaro, e a cilada que arma para os poderes na sanha de gerar conflito entre eles para legitimas uma nova ordem.
No dia 7 de março de 2019, Bolsonaro disse, na Cerimônia de Aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, no Rio de Janeiro – que a democracia e a liberdade só existem quando as Forças Armadas querem. Isto num país marcado por golpes militares desde o nascituro da República, e onde o retorno a ordem democrática deveu-se a Campanha da Diretas já, a qual aderiu o povo em massa. Ou seja, contra a vontade das Forças Armadas encasteladas no poder.
As reações foram imediatas. O Presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia respondeu lembrando os papel da instituições – dos três poderes – para a democracia. Ou seja, uma posição elitizada da democracia. Quem se lembrou do papel do povo nesta questão foi o Ministro do STF Marco Aurélio Mello.
Esta semana a questão voltou a baila e muitos encantados pela fala do palhacismo político ouviram o que desejavam e não o que o presidente Jair Bolsonaro disse em seu novo léxico, que tem como pano de fundo a busca do conflito dos poderes.
Isto nos remete ao episódio da censura  imposta à Revisa Crusoé e ao site O Antagonista pelo ministro do STF Alexandre de Morais que representa os interesses políticos do Golpe, contra PT, no Superior Tribunal e que colaboraram para a eleição de Bolsonaro, em tese. Ou seja, membro da nova ordem que quer se impor, a autocrática.
Este episódio é mais um teste do projeto em curso que usa de meios democráticos para ser antidemocrático. Ou seja, para se saber até onde se pode ir e como conseguir o conflito de poderes que legitimaria tal questão.
A reação foi da Procuradoria Geral da República, de parlamentares, da imprensa e diversos outros setores organizados e mesmo por parte de membros do STF, ente eles, mais uma vez, Marco Aurélio Mello. Ou seja, poder contra poder.

O resultado foi o recuo de Alexandre de Moraes no dia 18 de abril. Ao que se ouviu o eco do espelho de Bolsonaro: “Prezados integrantes da mídia, em que pese alguns percalços entre nós, nós precisamos de vocês para que a chama da democracia não se apague. Precisamos de vocês cada vez mais. Palavras, letras e imagens que estejam perfeitamente imanadas com a verdade. Nós, juntos, trabalhando com esse objetivo, faremos um Brasil maior, grande e reconhecido em todo o cenário mundial. É isso que nós queremos”.
Ao dizer isto ele inverte o léxico, como bom membro do palhacismo, fazendo o auditório aplaudir o que diz, mas sem entenderem o significado, que é claro a seus seguidores-espelhos. “Irmanadas com a verdade” remete àquela democracia tutelada pelas forças militares. Não por acaso que a fala foi proferida na Comemoração dos 371 anos do Exército na Sede do Comando Militar do Sudeste. Ou seja, tudo que a imprensa publica, que possa esclarecer o projeto em curso é notícia falsa. O que a imprensa publica e que vai de encontro ao espelho de Bolsonaro é verdade.  Em outras palavras, não se fala em real liberdade imprensa e de expressão.
Assim, fica um jogo esfumaçado onde o que se diz tem duplo sentido e só se buscando no léxico histórico do presidente se pode encontrar o significado que subverte a ordem. Ao mesmo tempo em que tal fala, acena com a possiblidade de um pacto entre a imprensa e o atual governo. Caso isto não ocorra, a notícia falsa será a temática que fará parte do agir, como já demonstrou Alexandre de Morais, apenas como advertência ao retroceder em sua decisão.
Há um projeto em curso e como não pode ser dito em praça pública se alardeia via palhacismo para que, até a pessoas insuspeitas, possam com ele se locupletar para privatizar os lucros e socializar as perdas, via reforma trabalhista e agora da previdência, que prometem mais empregos – até agora não gerados –  e na realidade entregará mais recursos do Estado às frações da classe dominante que funcionam como espelho a Bolsonaro e seus desejos de poder.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Reforma da Previdência e Revolução 4.0: desemprego estrutural


O termo revolução, em geral, é utilizado para grandes transformações políticas e, depois de Thomas Khun, século XX, para a ciência. Já no século XVIII passou a ser utilizado para as mutações ocorridas no sistema produtivo que adveio de manufatureiro a industrial com a produção mecanizada, sobretudo, com a invenção da máquina a vapor por James Watt, em 1760. Esta é a conhecida Revolução Industrial que ocorreu na Inglaterra e é denominada como Revolução 1.0.
A Segunda Revolução Industrial se caracterizou principalmente pela eletricidade e o petróleo, como combustíveis, e os avanços na indústria química e do aço. Teve início na segunda metade do século XIX e se encerrou na Segunda Grande Guerra (1939-1945). É a Revolução 2.0.
No final da Segunda Grande Guerra tem-se a Terceira Revolução Industrial ou Revolução Informacional ou Revolução 3.0, mas permanece em mutação até os dias atuais. Evolve os Estados Unidos com a energia nuclear do átomo, a robótica na linha de montagem, e o uso da internet e do computador pessoal na década de 1990. Massificou os produtos e viabilizou a globalização.
Quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0 é a do tempo atual. Dentre suas características destacam-se as tecnologias de troca de dados e automação utilizando-se para isto da internet das coisas, inteligência artificial, computação em nuvem e big-data entre outros aspectos técnico-científicos. Assim, as coisas interagem entre si mais do que com os seres humanos. São as fábricas inteligentes. É a robótica que faz antever o decréscimo dos postos de emprego.
Em cada Revolução Industrial seguiu o que se convencionou chamar de crise no capitalismo. Todavia, uma das características do sistema capitalista são as crises que se sucedem como forma de fazer avançar o lucro. Assim, o que vemos nas proximidades das Revoluções Industriais não são crises, são a reestruturação profunda do sistema em novas bases. O início da reestruturação do Estado e da sociedade da Revolução 4.0 dá se com a crise de 2008, diante da nova realidade produtiva face ao mercado de capitais.
Duas de suas consequências básicas é a ruptura com o pacto da necessidade de uma classe média aos moldes do capitalismo neoclássico de J. M. Keynes, ou seja, é a perca da função social do capitalismo onde os mais pobres são atingidos pelas reformas das políticas, dentre estas a da previdência pública e a trabalhista. Outro aspecto é a substituição da mão de obra pelos sistemas da Revolução 4.0. Com isto se fala não mais apenas em precarização das condições do trabalhador, para, além disto, se apresenta o subemprego estrutural.
Uma das formas romantizadas do capitalismo para falar de subemprego estrutural é o empreendedorismo, que poderia ser chamado também de estratégia de sobrevivência ou “gestão da sobrevivência”.  
Para responder a situação de subemprego estrutural, diante da nova fase do capitalismo da quarta revolução industrial, que Temer realizou a Reforma Trabalhista oficializando o subemprego como uma das formas oficiais de arrecadação do Estado. O fato de se tornar estrutural tende a precarizar as relações de trabalho, também, da classe média que se pensa capitalista ou parceria dele e não o é.
Fomentar uma nova forma de gerir a coisa pública, diante desta realidade de negar a função social do capital e do Estado face ao subemprego estrutural da Revolução 4.0, leva a reforma da previdência pública.
Esta reforma não é fruto apenas dos avanços na saúde propiciados pela Segunda Revolução Industrial, com os antibióticos e vacinas, e as políticas públicas de saúde do Estado de Bem-Estar Social fruto do capitalismo neoclássico que possibilitaram a ampliação da expectativa de vida; como é alardeado. Mas, do fim do emprego como conhecemos até a Terceira Revolução Industrial.
Assim, Reforma Trabalhista de Temer e Reforma da Previdência pública de Bolsonaro são a reestruturação do Estado diante da Revolução 4.0. Mudou o modo de produção e o Estado capitalista a ele se adequa retirando direitos sociais para viabilizar a concentração de renda aos moldes neoliberais do sistema financeiro que privatizará a previdência.

Para se ter uma ideia do impacto da Revolução 4.0 a expectativa é de que até 2026, aproximadamente 30 milhões de empregos poderão ser substituídos por robôs. Diante disto o Estado capitalista se alia ainda mais ao capitalista e exclui as frações de classe média e, com elas, o que genericamente se chamou do povo.
O direito social de o Estado redistribuirde renda ou de participação, na velhice, via previdência pública, dos lucros da Nação e da Pátria, para além do fato da contribuição, são desconstruídos.
E, o cadastro positivo dos consumidores vem no mesmo sentido. O de saber quem no subemprego conseguirá pagar as contas. Uma abertura do sigilo financeiro à Receita Federal já que a nova realidade é de exclusão crescente do modelo oficial tradicional. E, lembre-se, o discurso dos políticos era de que a Reforma Trabalhista faria crescer a empregabilidade no dia seguinte a sua aprovação. Ainda se aguarda este resultado negado pela realidade.
Assim, a visão regressiva dos impostos é enraizada ainda mais via reforma trabalhista, reforma da previdência – que adquire certo aspecto de confisco de renda dos mais pobres que morrerão antes de se aposentar – e da lista pública dos bons pagadores  é a forma que os Estado encontrou de taxar até os mais pobres aprofundando o modo de favorecer ainda mais os mais ricos via Estado Neoliberal que não dividirá renda, antes, a concentrará.
Para encerrar cabe a frase magistral de Henry David Thoreau: “O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você troca por isso”. Quanto tempo de vida nos pedirão para aposentar? Quanto tempo de vida nos restará após conseguir se aposentar? Para evitar que a maioria de aposente se colocou, para além de todas as regras, o gatilho por expectativa de vida. Um sonho cada vez mais ilusório.
Wlaumir Souza

sábado, 15 de dezembro de 2018

Bolsonaro e a Velha e Tradicional Política no Brasil: contemporanização conservadora




Logo após a eleição de Lula para seu primeiro mandato que daria origem a era Lula (2003-2010), FHC ao analisar as causas da derrota do PSDB acentuava o discurso ético do partido contra as acusações que pesavam sobre o tucanato que governara o Brasil até 2002. Para retomar o poder, seria preciso retirar das mãos do Partido dos Trabalhadores a bandeira da ética, segundo FHC.
De lá para cá o PSDB não conseguiu tal feito, pelo contrário; viu alguns de seus principais quadros partidários envolvidos em escândalos, de onde se destaca o caso de Aécio Neves, sobretudo, a partir de 2014 quando é acusado de recebe dinheiro não declarado da J&F e ter repassado a diversos partidos para compor sua frente partidária, dentre estes, o PSL (Partido Social Liberal) ao qual pertence ao futuro presidente da república .
FHC ao abordar tal tema não levava em conta apenas a eleição do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, mas, o fato de que todos os candidatos que se elegeram na Nova República foram fiéis discursivos da honestidade. Em boa medida isto se deve a baixa escolaridade da nação que não compreende suficientemente os debates intelectuais sobre economia, para além da situação cotidiana, e dos embates da Constituição Cidadã, de 1988, com o neoliberalismo que a quer devastada nos direitos sociais e trabalhistas. Recorde o caçador de marajás que era Collor e como acabou sua presidência.
Seguindo a mesma toada e contando com a pouca escolarização da nação, Bolsonaro realizou o mesmo discurso, em tom mais contundente, da honestidade acentuada pela militarização da política e do Estado como bandeiras que encontravam eco desde parte das manifestações que se iniciaram em 2013, durante o Governo Dilma Rousseff (2011 – 2016).
Faltando menos de um mês para Bolsonaro assumir o poder da federação brasileira ele se vê, em hipótese, vitima daquilo que esbravejou contra. Nem iniciou o governo e em meio a transição se vê entre acusações ao clã Bolsonaro que já faz muitos refletirem sobre o voto equivocado. Fabrício Bolsonaro, herdeiro político para ser candidato a presidência no futuro, se vê diante de denúncias do COAF sobre transações não transparentes de dinheiro com servidores de seu gabinete político.
Mais que isto, diversas propostas de campanha, bem ao tom popularesco para ser entendido pela massa, não serão cumpridas. Cito apenas a questão ministerial. Afirmava que seriam 7 a menos que os 22 que estão postos até o presente. Neste ponto, faz repetir a história das eleições. Em geral, todos os presidentes em primeiro mandato iniciaram o governo com um número menor de ministérios que foram crescendo na medida em que teve de negociar votos com o legislativo. Quanto mais projetos significativos a serem aprovados e mantidos, e para evitar, o impedimento político, mais ministérios são criados. Assim, os presidentes acabaram seus mandatos com mais ministérios do que haviam iniciado seu mandato e, no caso de Bolsonaro mais do que havia prometido em campanha demonstrando que está compondo sua base de votos com dificuldades mesmo com o apoio da bancada BBB.
Além disto, o presidente eleito afirmava que não teria em seus quadros pessoas com problemas com a justiça. Não é o que se vê. 9 futuros ministros tem algo a explicar a justiça e ao País. Além de seu filho. O que demonstra o quanto seu poder prático é diferente da retórica diante da velha política: paternalismos, clientelismo, fisiologismo, acordos sem transparência entre outras características. Bradando, Bolsonaro, que não negociaria com a velha política, inicia o mandato como no passado.
O Legislativo federal por seu turno já se arma para garantir sua sobrevivência na política tradicional e para isto faz aprovar uma série de pautas bombas para manter o presidente atual e o futuro como reféns do modelo político. Neste ponto a isenção de impostos para Sudan e Sudene, e o aumento do limite de gastos de estados e municípios já demonstra a gula por cargos e verbas continua como dantes. Mais que isto, que não se contentarão com os cargos de segundo e terceiro escalão que Bolsonaro lhes quer apresentar como formula de acordo para aparentar uma nova política aos olhos dos incautos.
Se num primeiro momento negociou com as Bancadas temática, em especial com a BB, da Bala, do Boi e da Bíblia, colocando em evidência que além da militarização está em xeque, no Brasil, a secularização do Estado e o direitos sociais dele decorrentes. Neste segundo momento inicia a negociação com os partidos. Que acenam, mas não assumem posição a espera dos cargos e ministérios, além de verbas, para votar propostas tão impopulares, e nada debatidas durante a campanha pelos candidatos diante de uma plateia limitada ao discurso da honestidade, como a alteração do artigo 7 da Constituição, qual seja:
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável;
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;
XII - salário-família para os seus dependentes;
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; (Vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943)
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva;
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal; (Vide Del 5.452, art. 59 § 1º)
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XXIV - aposentadoria;
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até seis anos de idade em creches e pré-escolas;
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
XXIX - ação, quanto a créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de:
a)
cinco anos para o trabalhador urbano, até o limite de dois anos após a extinção do contrato;
b)
até dois anos após a extinção do contrato, para o trabalhador rural;
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)
a) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)
b) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos;
XXXIII
proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de quatorze anos, salvo na condição de aprendiz ;
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV, bem como a sua integração à previdência social.
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, de 2013)

E, para garantir que não se entenderá para lá do discurso da honestidade o que será feito, a não ser diante da prática cotidiana do trabalhador e do cidadão que perderá direitos sociais de cidadania se quer o projeto Escola sem Partido, por hora arquivada. Assim, após a reforma do sistema sindical para perda de recursos e limitar suas ações, se quer a maordaça nos professores. Uma vez sendo aprovada, se for, a Escola sem partido iniciará o movimento crescente será visto, por exemplo, pelo projeto Imprensa sem Partido, etc num avançar do Estado militarizado para conter a massa reduzida em seus direitos arduamente conquistados ao longo de séculos do mundo contemporâneo, para se falar no mundo europeu ocidental.

Para aprovar tamanha reforma neoliberal, não compreendida pelo povo pouco escolarizado, mas, por ele vivido no cotidiano após aprovação, não bastará aos partidos, bancadas e deputados sair na foto com o apoio do presidente eleito e que assumirá em janeiro de 2018. Será necessário, muitos cargos, verbas e polícia na rua do Estado Militarizado (Diferente de Ditadura) que amordaçará  primeiro os sindicatos, por isto a extinção do Ministério do Trabalho, e depois, tentará as escolas e imprensa.
Feliz velho ano pré Revolução Francesa! Do ponto de vista eurocêntrico. Feliz ano da velha república, do ponto de vista do Brasil, para a derrocada das conquistas trabalhistas do Estado de Vargas, ao qual FHC  não conseguiu desmontar, embora o desejasse, e, mais que isto, feliz fim da Constituição Cidadã e com o consequente fim da Nova República se Bolsonaro conseguir as reformas que almeja para idolatrar o modelo neoliberal dos EUA de Tramp.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Bolsonaro e a revolta do senso comum e religioso


A cada nova eleição é renovada a esperança de tempos melhores. De uma economia estável e próspera sem inflação e juros baixos, de uma sociedade mais participativa, de um congresso mais ético e representativo da vontade nacional, entre tantas outras questões da fé política, como o fim da corrupção de um mandato para outro.
Quando se elegeu Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Sivla, Dilma Rousseff e agora Jair Messias Bolsonaro todas estas questões de fé política estavam presentes. E, cada vez com maior vigor a busca de um representante que tivesse um governo onde não houvesse corrupção. Recordando que este ciclo democrático iniciou-se sob o lema das cores da bandeira na busca do fim dos marajás. Seria o fim da Nova República?
A busca do povo por um governo e um Estado honestos é legitima e, mais que isto, demonstra que a crise sucessiva, e até aqui infinda, que se vive neste País tem esgarçado cada vez mais o tecido social que viabiliza a solidariedade social. E, contradiz, o complexifica o dito popular de que o governo é a cara do povo. Ao menos na busca da honestidade parece divergir nos anseios.
Todavia, se no passado a dependência de instituições para organizar movimentos era premente o que equivalia a dizer que se veria mais do mesmo na política. Agora, com as redes sociais altamente popularizadas no Brasil, elas se tornaram um veículo que podem fazer eclodir insatisfação generalizada por movimentos de ação direta cada vez mais reais no cotidiano. O que remete ao fato de que ao sistema econômico capitalista que se alimente de crises somou-se a crise constante na política.
Em boa medida isto se faz pelo desgaste das instituições que deveriam representar o povo ou interpretar sua vontade: os três poderes. Interessante notar que a insatisfação que seria dirigida principalmente aos políticos por não representarem a nação tem se movimentado contra o judiciário e , agora, também, os professores pelo discurso mesmo da política partidária.
E isto faz parte do processo histórico de transformação do projeto burguês que teve na origem a cumplice da ciência e da filosofia. A ciência com seu saber prático, metódico, testado e validado desbravou o mundo para o avanço do lucro burguês e desmistificou o poder da religião e da metafísica que legitimavam as monarquias, eram as raízes da razão instrumental. A Filosofia, por sua parte, elaborou todo o discurso para legitimar a propriedade privada e a representação social via eleições (de burgueses) e da tripartição dos poderes democráticos e republicanos.
Assim, se o projeto burguês se contrapunha ao monárquico, logo o projeto burguês faria emergir o seu contraditório. E isto se deu para além do povo, isto ocorreu sobretudo no século XX com a popularização da ciência que saiu do privilégio burguês e se espraiou pelo subproduto do capitalismo, as classes medianas, de onde a conscientização constante deste grupo que os interesses burgueses não eram os seus.
Boa parte destas classes medianas dedicam-se aos ramos da ciência que permanecem cumplice, e por isto mesmo mais bem remuneradas, com o projeto burguês de ampliação do lucro a qualquer custo social.  As áreas técnicas e teconológicas líderes por excelência da manutenção e avanço da razão instrumental.
Contudo, as humanas, que outrora legitimaram o projeto burguês de democracia republicana, ampliou seus horizontes para perspectivas não gratas a burguesia. As questões sociais. Isto foi uma ruptura na interpretação da realidade que se aprofunda com as teorias críticas do sistema. Uma traição ao burguês que teve como principal aliado de seu projeto político e produtivo a ciência e a filosofia.
Isto posto, a burguesia reage àquela que seria sua matriz de pensamento e busca pôr freios a esta produção de saber e celebra seu casamento com a religião. É o coroamento do pensamento conservador. Mas, para cada tempo sua religião predominante é construída aos moldes dos interesses a legitimar. No nosso caso é o lucro o deus a ser contemplado encontra melhor espaço na teologia da prosperidade mais ampla entre evangélicos.

Passo a passo em meio a redes sociais que são o paraíso do senso comum vê-se a ciência e professores serem questionados por piadas e trocadilhos aparentemente pueris, mas que tem como pano de fundo deslegitimar a ciência humana em nome da religião. Uma melhor parceira para o projeto burguês, pois que desenvolve servos em meio ao que seria cidadão.
Assim, edifica-se uma contradição mais profunda no projeto burguês. A necessidade da aparente irracionalidade e do caos em seu devir aos olhos do povo. O espaço propício a revolta do senso comum diante do fracasso do projeto neoliberal em andamento.
É neste contexto que se inscreve o lema de Jari Bolsonaro – Brasil acima de tudo, Deus acima de todos; e o projeto “Escola sem partido”. É um lema que apaga as individualidades cada vez mais valorizadas pelas ciências humanas e professores,  e negada pela religião ao (in)por modelos para todos numa negação da contradição entre maioria e minorias.
O caldo está pronto. Veremos a que nos levará em meio ao senso comum e da religião em detrimento das ciências neste governo que se iniciará.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Bolsonaro e seus aliados, não passarão?!

Bolsonaro e seus aliados, não passarão?!

Uma das formas mais primitivas de dominação, exploração e controle são as relacionadas às relações de gênero. Debater o papel do masculino e do feminino, do homem e da mulher, do hetero, do bi e do homossexual entre outras possibilidades é tema acalorado até os dias de hoje.
Dois parceiros históricos da demanda de igualdade de gênero são o laicismo e a democracia. Não há igualdade de gênero possível sem o questionamento dos papéis históricos construídos a cada sexo pelas religiões e pelo Estado. Quanto mais autoritário o Estado ou a religião em questão maior a desigualdade de gênero: da violência verbal à física, da violência patrimonial à simbólica, dos direitos reconhecidos à despersonalização e invisibilidade e a exclusão social.
Neste ponto abordar o tema Bolsonaro e sua posição quanto a estupro é debater o papel do Estado e do laicismo. Se Bolsonaros há que podem se arvorar em público é devido ao fato de representarem não poucas pessoas. O fato complexo de um homofóbico, misógeno e defensor da ditadura estar deputado, em uma democracia, demonstra que os valores democráticos tem não poucos oponentes e, por vezes, com alicerces históricos.
Assim, saídos de uma ditadura, oficialmente, não poucas são as continuidades institucionais com o regime negado: homofobia, misogenia, assassinato sistemático dos mais pobres e dos negros, crimes sem apuração ou investigação, abuso do poder, constrangimento e negação dos Direitos Humanos são uma rotina que estupram o Brasil cotidianamente.

Se, Bolsonaro fala em público, e no cargo oficial de representante do povo brasileiro, é devido ao fato de representar não poucos e, com isto alardear a fraqueza das instituições em defender os tradicionais sujeitos históricos vítimas de assédio moral.
Pior que isto é ver que mesmo pessoas que lideram instituições que deveriam primar pelas práticas democráticas e laicas e com grupos de estudos de gênero avançadíssimos “chafurdarem” quase ao lado de Bolsonaro. Assim, para o “reitor da USP, denunciar estupro na USP é ação inquisitorial”.
Ação inquisitorial é o estupro que sobrevive no século XXI como marca da masculinidade que se põe infensa as demandas dos femininos e dos feminismos. Ação inquisitorial é ver a cortejo de corpos em meio a laudos que não confiam na palavra do denunciante, visto e tratado como sujeito de terceira categoria, como se os Direitos Humanos não houvesse isto resolvido. Ação inquisitorial é ver um grupo de homens fazendo piadas das demandas de mulheres e gays e afins. Ação inquisitorial é o descaso com a educação sobre a sexualidade e as demandas por igualdade de gênero. Ação inquisitorial é ver quantos no ambiente profissional ou pessoal denigrem a imagem de mulheres e gays como se fosse uma ação válida do ponto de vista ético e com a cumplicidade silenciosa dos que não denunciam.

Wlaumir Souza