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sábado, 23 de setembro de 2017

Contradições que constrangem o Brasil

Contradições que constrangem o Brasil

Em meio ao processo social que culminou com o impedimento da Presidenta Dilma Rousseff, não poucas vezes, assistimos na poltrona da sala de casa, via televisão ou internet, os maiores abusos contra a dignidade da mulher, e em especial, da Presidenta sufragada, sem qualquer pudor ou consideração.
Destaco apenas alguns momentos emblemáticos. Quando no estádio em meio a Copa do Mundo em coro se mandou a Presidenta Dilma ir tomar no cu. Seguidamente, uma imagem da Presidenta com as pernas abertas fazendo do orifício de abastecimento de combustível como se fosse as partes íntimas sexuais, para serem penetradas pela mangueira de combustível.
Nos dois casos a alusão ao estupro coletivo enquanto corretivo para que ela ficasse no lugar que lhe cabia como mulher, qual seja a vida privada e não o espaço público e com poder. Ou seja, este local não seria a presidência da República.
Tais atitudes abusivas não foram condenadas por parte significativa dos militantes contrários ao governo federal PT. Pelo contrário, fazia-se política ao estilo de Machiavel com todo um discurso da honestidade contra aquilo que se convencionou chamar de esquerda, sendo na realidade Liberal Keynesiano.

Este discurso da honestidade revelou-se, com o tempo, estéril visto que as mesmas forças não se organizaram contra o Presidente Michel Temer acusado pela Procuradoria Geral  da República por duas vezes consecutivas, uma vez inclusive por formação de quadrilha o que desfiguraria por completo a questão do partido.
Assim, vemos o Brasil ser o que é, um País do statu quo onde o que se merece é medido pela origem de classe, raça e gênero. Assim, mulheres, negros e homossexuais e toda plêiade das variantes de gênero são excluídos e culpabilizados pelos males sociais sem clemência, mesmo que para isto use-se meios imorais nas ruas vendo os carros adesivados ou no estádio ou via televisão do coro estuprador.
Neste contexto de moral machista, sexista, patriarcal, racista e classista não é de se estranhar que a exposição “QueerMuseu: cartografias da diferença na arte brasileira” tenha sido na visão da direita boicotada e na visão dos progressistas censurada a ponto de ser fechada pela instituição financeira que a exibia.
Bem aos moldes do que faz o Brasil, Brasil, a manutenção do statu quo em detrimento dos direitos de cidadania, o que mais assustou na exposição foi ver que artistas renomados e, alguns históricos, como Portinari, já haviam se embrenhado pelo mundo Queer quando este ainda nem era pesquisado como manifestação humana livre e sadia desde a infância.
Mais, que isto, escancarava as frestas das portas e janelas para evidenciar que o mundo Queer sempre este aí e um de seus usufrutuários era o homem quase imaculado em sua macheza excludente. Este desvelamento não poderia ocorrer no Brasil do statu quo onde a maior parte dos gays está casada e com filhos, por vezes numa vida dupla onde a mulher é cúmplice por medo de perder o statu quo de casada em uma sociedade machista e patriarcal e sexista.
Romper com o statu quo do/no Brasil seria arrombar com as aparências de uma civilização que não passa de um verniz, de uma doutrinação vazia, uma vez que as maiores vitimas de violência e morte são as mulheres, por seus próprios parceiros, aparentados ou conhecidos; os negros, via polícia na periferia e luta pelo controle de áreas; e os gays sendo sistematicamente assassinados a ponto de nos colocar como campeão mundial de produção de vítimas. É uma guerra civil não declarada onde apenas o homem, branco e heterossexual continua sendo o favorecido e privilegiado.
Neste ponto a posição do juiz que legitima a “cura gay” é apenas a cereja do bolo da discriminação, exploração e controle aviltantes das minorias que merecem todo o respeito na Democracia ou mesmo fora dela, em favor do statu quo que nega a cidadania plena a tod@s @s Cidadãos.
E, por isto mesmo já nos perguntamos: haverá eleições em 2018 com este projeto liberal conservador autoritário em curso crescente?


domingo, 1 de março de 2015

“Tucanalhas” e “Petralhas” e o lugar do público

Neste embate futebolístico da denúncia da corrupção de petralhas e tucanalhas todos querem ser honestos vendo apenas as irregularidades dos outros e não as nossas.
Se desejamos um país melhor temos de ir para além do partidário, ou seja, de uma parte apenas do país, e trabalharmos pelo todo. Sem com isto sair da exclusão para entrar no ditatorial. Necessitamos ir para além do ideológico de direita que acusa apenas a esquerda a vice-versa.
Sou favorável aos avanços da “Lava a jato” e, se for o caso, que se faça uma revisão das penas dos “mensaleiros” do PT em virtude das novas evidências que vierem a ser arroladas. Mas, também considero urgente que o processo contra os “mensaleiros” tucanos de MG avance.

Mas, igualmente, sou favorável a que a corrupção privada em uma de suas formas mais puras, as das denúncias contra o HSBC, tenham igual acusação pública e investigação. Os corruptores não podem passar ilesos em nome do discurso neoliberal que arvora as virtudes do privado em detrimento do público.
Necessitamos avançar para além do partidário sem entrar no jogo das Igrejas, dos Exércitos e dos militantes que se dizem uno, não o sendo, e quando o são, executam os outros em nome do “todos somos um” avessos a pluralidade e a diversidade.
A democracia exige que as virtudes democráticas e republicanas vão para além deste pueril jogo de cartas marcadas em favor do meu e contra o teu e que inviabiliza o Brasil que todos queremos.
E, neste ponto, precisamos de um judiciário que tal qual a mulher que representa a justiça e a liberdade a francesa supere as carcomidas certezas e não se faça vítima da cooptação do poder econômico ou cúmplice da corrupção do público passeando em praça pública com bens confiscados via processo judicial.
Sim, os problemas são mais amplos e requerem uma maturidade onde não mais sejamos tal qual o burocrata de Estado preocupado com os privilégios da carreira pública que lhe dá benesses que ao cidadão comum são negadas e, para garantir estas, esquecem as mazelas do passado.
Urge que as investigações pretéritas quanto a Petrobrás sejam feitas, afinal, um dos acusadores históricos destas mazelas fora o nome de um dos queridinhos da maior emissora do país, Paulo Francis.
O não retrogradar das denúncias levará o País ao porto seguro de sempre, o congraçamento das partes em nome da Estadania e em detrimento da cidadania. Ou, nos piores dos casos, para as elites da Estadania penas breves devidamente planejadas pelo arcabouço legal no que diz as condenações dos crimes de elite, para a elite e pela as elites.
Precisamos mais do que na hora da eleição escolher um candidato por certa ideologia, seja de direita ou de esquerda, tendo de escamotear seu passado sombrio. E, com isto, banalizando-se a corrupção da própria orientação ideológica e clamando apenas pela condenação do outro. Precisamos mais do que escolher entre um tipo de corrupção ideológica e outra.
O Brasil, terra onde acusa-se o outro partido em nome de mais do mesmo, afinal, desde a colônia aos membros das Elites, sobretudos a de Estado é ofertada a segurança acima do judiciário da estadania – enquanto o povo abre falência em nome dos privilégios dos banqueiros e dos rentistas que escamoteiam suas fortunas em paraísos fiscais que são nada fiscalizados.

Que vença a cidadania onde o público é capaz de pensamento crítico e moral avançado em detrimento dos particularismos sectários ingênuos e sistemáticamente legitimadores de outro modelo de opressão ao invés da cidadania plena para todos.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Manifestantes, vândalos e outras cidadanias no Brasil ou o “orçamento” participativo negado.

              Wlaumir Souza.              
           A Constituição cidadã tem, em sua origem, como um de seus vértices o acento na participação popular como forma cabal de negar o período da Ditadura Militar no Brasil. De 1988 até hoje, o Leviatã que poderia ser controlado pelo “participacionismo” – onde a questão orçamentária seria apenas um dos pontos privilegiados como modo de se alçar vôos cada vez maiores na cidadania plena – vê se cada vez mais próximo das sentenças do Príncipe de Maquiavel em meio ao Espírito das Leis. Uma mescla típica da Terra Brasílis onde em tudo se misturando de moderno e contemporâneo muito se mantém de tradicional. Todavia, desafiando este tradicionalismo modernizador avesso ao contemporâneo explícito – este quase um palavrão ouvido pelas pessoas recatadas das primeiras décadas de 1900 – os odiernos manifestantes, vândalos e outros cidadãos se levantam forçando o progresso passar à frente da ordem.



                Em meio a esta mescla típica da Terra Brasílis, vemos de tudo um pouco, mas mais do moderno do que do contemporâneo, onde o “Príncipe”, o “Leviatã” e o “espírito das leis” se chafurdam no Novíssimo Regime Democrático. Assim vemos dois Lulas e FFHH. O segundo solicitou que esquecessem o que produziu como acadêmico em nome da política partidária administrativa; o primeiro, contrariamente ao que todos acreditavam revelou que o partido ao qual pertence nunca foi marxista. Nada mais estrela que um tucano e nada mais tucano que uma estrela no modus operandi da política nacional?
                De outra perspectiva, enquanto os trabalhistas defendiam acaloradamente o orçamento participativo tendo como vitrine o governo de Porto Alegre; de modo menos entusiasta mas seguindo a toada em ritmo de classe média os social-democratas vinham logo atrás tateando entre a ação e as reticências. Em comum no tempo presente, abandonaram o “participativo” e se locupletaram no temor do progresso passar adiante da ordem.
                Assim, o medo venceu a esperança, não nas bases sociais dos partidos, das igrejas, dos sindicatos e outros modos organizados ou não de participação. Mas, antes no “Príncipe” – ou seria “Princesa” – que vê de modo saudosista o “Leviatã” mas não o confessa diante do “espírito das leis”. Mas fica claro pelos silêncios e pela tentativa de construir normas que diminuam a participação em praça pública.
Nada mais temerário que o discurso da ordem pela paz social sem distribuição de renda e sem participação pública do cidadão compartilhado em diferentes tons de cinza pela esquerda e pela direita que assinam em uníssono o que os anarquistas já alardeavam como escândalo do poder: se há governo, se é contra; ou, em forma mais lapidar quem assume o governo passa de esquerda a simpatizante com as ideias vermelhas, mas, como dono do poder, preservá-lo é a regra, e, simpatia política é afago e não realização de cidadania plena.




Venceu o Estado, venceu o mercado? O povo clama na praça que não!!! Apesar da dispersão realizada hoje (22/02/2014) com mais policiais que manifestantes ficando os sussurros do progresso que não se contentam com as ordens dos “príncipes” e dizem com todas as letras – A primavera virá! Sem definir ou saber qual estação realmente esta será.