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sábado, 23 de setembro de 2017

Contradições que constrangem o Brasil

Contradições que constrangem o Brasil

Em meio ao processo social que culminou com o impedimento da Presidenta Dilma Rousseff, não poucas vezes, assistimos na poltrona da sala de casa, via televisão ou internet, os maiores abusos contra a dignidade da mulher, e em especial, da Presidenta sufragada, sem qualquer pudor ou consideração.
Destaco apenas alguns momentos emblemáticos. Quando no estádio em meio a Copa do Mundo em coro se mandou a Presidenta Dilma ir tomar no cu. Seguidamente, uma imagem da Presidenta com as pernas abertas fazendo do orifício de abastecimento de combustível como se fosse as partes íntimas sexuais, para serem penetradas pela mangueira de combustível.
Nos dois casos a alusão ao estupro coletivo enquanto corretivo para que ela ficasse no lugar que lhe cabia como mulher, qual seja a vida privada e não o espaço público e com poder. Ou seja, este local não seria a presidência da República.
Tais atitudes abusivas não foram condenadas por parte significativa dos militantes contrários ao governo federal PT. Pelo contrário, fazia-se política ao estilo de Machiavel com todo um discurso da honestidade contra aquilo que se convencionou chamar de esquerda, sendo na realidade Liberal Keynesiano.

Este discurso da honestidade revelou-se, com o tempo, estéril visto que as mesmas forças não se organizaram contra o Presidente Michel Temer acusado pela Procuradoria Geral  da República por duas vezes consecutivas, uma vez inclusive por formação de quadrilha o que desfiguraria por completo a questão do partido.
Assim, vemos o Brasil ser o que é, um País do statu quo onde o que se merece é medido pela origem de classe, raça e gênero. Assim, mulheres, negros e homossexuais e toda plêiade das variantes de gênero são excluídos e culpabilizados pelos males sociais sem clemência, mesmo que para isto use-se meios imorais nas ruas vendo os carros adesivados ou no estádio ou via televisão do coro estuprador.
Neste contexto de moral machista, sexista, patriarcal, racista e classista não é de se estranhar que a exposição “QueerMuseu: cartografias da diferença na arte brasileira” tenha sido na visão da direita boicotada e na visão dos progressistas censurada a ponto de ser fechada pela instituição financeira que a exibia.
Bem aos moldes do que faz o Brasil, Brasil, a manutenção do statu quo em detrimento dos direitos de cidadania, o que mais assustou na exposição foi ver que artistas renomados e, alguns históricos, como Portinari, já haviam se embrenhado pelo mundo Queer quando este ainda nem era pesquisado como manifestação humana livre e sadia desde a infância.
Mais, que isto, escancarava as frestas das portas e janelas para evidenciar que o mundo Queer sempre este aí e um de seus usufrutuários era o homem quase imaculado em sua macheza excludente. Este desvelamento não poderia ocorrer no Brasil do statu quo onde a maior parte dos gays está casada e com filhos, por vezes numa vida dupla onde a mulher é cúmplice por medo de perder o statu quo de casada em uma sociedade machista e patriarcal e sexista.
Romper com o statu quo do/no Brasil seria arrombar com as aparências de uma civilização que não passa de um verniz, de uma doutrinação vazia, uma vez que as maiores vitimas de violência e morte são as mulheres, por seus próprios parceiros, aparentados ou conhecidos; os negros, via polícia na periferia e luta pelo controle de áreas; e os gays sendo sistematicamente assassinados a ponto de nos colocar como campeão mundial de produção de vítimas. É uma guerra civil não declarada onde apenas o homem, branco e heterossexual continua sendo o favorecido e privilegiado.
Neste ponto a posição do juiz que legitima a “cura gay” é apenas a cereja do bolo da discriminação, exploração e controle aviltantes das minorias que merecem todo o respeito na Democracia ou mesmo fora dela, em favor do statu quo que nega a cidadania plena a tod@s @s Cidadãos.
E, por isto mesmo já nos perguntamos: haverá eleições em 2018 com este projeto liberal conservador autoritário em curso crescente?


terça-feira, 29 de março de 2016

As ideias fora da realidade ou a corrupção e fraude na excelência do impeachment

A tradição lusa relegou como herança ao contemporâneo algumas das características que tornaram o Brasil, Brasil: educação metafísica e patriarcado.
A primeira tornou-nos um povo dado a teorias, princípios em abstrato, a teses desencarnadas do plano do real, do material. Importa muito mais as “belas ideias” que suas possibilidades práticas, discursos efêmeros com poucas práticas eficientes e eficazes. O amor à teoria de belas explanações e possibilidades infinitas de um paraíso irrefletido nas práticas.
A segunda herança fez com que em nome dos ideais fossemos capazes de nos lançar aos mais algozes poderes do pai, do chefe, do branco, do homem, do heterossexual, do capital. Diante deste poder inconteste do patriarca e de seus desejos nos submetemos a ordem idealizada de família hierarquizada para sobreviver em meio a uma realidade múltipla e em devir majoritária no plano real e minoritária no plano das ideias; e aos negócios escusos do chefe em nome da ordem. Cativos do senhor de escravos o empresariado do grande capital tornou-se donos dos corpos e das mentes no lar e para além dele, nos remetemos a ideias e ideais que apenas amenizam nossas dores cotidianas de explorados e expropriados via legal e por corrupção.
Este o ponto onde o passado encontra o presente ou o futuro com o passado no atual embate entre liberais (PSDB, DEM entre outros) e os que tentam ser socialdemocratas (PT e outros mais) aflora a corrupção com listas que parecem metralhadora giratória que põe a nú a realidade da corrupção tornada rotina burocrática, como o fora o extermínio nazista da Segunda Grande Guerra.
Os fatos que nos cercam demonstram que somos uma “democracia colonial”, em uma linha interpretativa tradicional, poderia ser designada de teoria da dependência de FHC. Neste campo, entre o patriarca dono de escravos – empregados sem direitos trabalhistas, sem segurança no emprego ou condições dignas de trabalho em meio a precarização crescente e a dependência do favor da família para manter-se – e o líder partidário do século XXI, vemos renascer o coronel truculento nas práticas legislativas e no judiciário e o patrão que quer controlar o voto de seus “apaniguados”, como se isto não fosse suficiente, em meio aos aplausos dos que defendem a “liberdade” em via pública.
Mas, por livre, leia-se e entenda-se liberalismo pós-neoliberal econômico temperado pelo sentimento patriarcal colonial escravocrata, ou seja, redução de direitos sociais e civis onde as primeiras vítimas serão os pobres, as mulheres, os negros, os homossexuais e tantos outros capazes de exercer a liberdade social para além da econômica – enquanto liberdade face ao destino dos costumes. Assim, os que defendem a liberdade na praça pública nada mais querem que o retorno do antigo privilégio de serem os únicos atendidos por recursos do Estado a juros ínfimos enquanto ao povo nada caberia se não o trabalho.
Nesta sopa de ideias e ideologias vemos o quanto as ideias estão fora do plano real. O discurso de combate a corrupção visa apenas a ampliação dos lucros da iniciativa privada, em especial do grande capital, sobretudo daquela alijada pelos atuais “donos do Estado” questionados em sua legitimidade de poder. A meta é apossar-se dos recursos do Estado para outro grupo, aquele fora do poder de Estado, com outra concepção de Estado e Sociedade, mesmo que o preço seja o golpe contra democracia legítima via judiciário como esteio de evidências legitimadas.
No mesmo plano, a fala de Lula de que o combate a corrupção – até aqui limitada quase exclusivamente ao PT e aliados, onde a lista com mais de duzentos nomes ocultada pelo sigilo de processo é apenas meio para se por sob suspeita, ainda maior, a impessoalidade da aplicação da lei – seria a responsável pela crise econômica não reconhece dois fatos, em nome das ideias que controlam as mentes e corações. A paralisia econômica deve-se a nossa dependência do mercado internacional, em crise desde 2008 – crise que colocou fim ao neoliberalismo, mas o que se inaugurou ainda não se configurou de forma explícita em termos de doutrina econômica – e isto consolidaria a teoria da dependência de FHC –  que seria a única política-econômica que nos caberia.

Outro elemento explicativo da crise não é a investigação da corrupção, mas a crise da rotina da corrupção. A corrupção vista como fato social, no Brasil, quer dos políticos ou das iniciativas privadas indo do grande ao pequeno capital em conformidade ao poder político que a circunda, demonstrou-se uma prática suprapartidária que coloca em questão a própria república e seus representantes, de liberais a socialdemocratas. A rotina da corrupção posta em cheque, sobretudo diante da leniência do grande capital, colocou os empresários atônitos ao contágio coletivo que poderia causar e os fez cessar no investimento produtivo, mesmo dizendo que tudo se deve aos altos impostos, apenas; como se fosse apenas?
Assim, a economia não parou apenas pela dependência internacional, mas por fatores próprios ao Brasil, naquilo que o torna Brasil, as ideias abstratas de que partidos poderiam corresponder a quadrilhas e políticos, possivelmente, a criminosos organizados, foram materializada fazendo o escândalo para inglês ver. A rotina da corrupção fazia as engrenagens andar de forma azeitada por todos os naipes políticos e do grande capital, “cessada” esta rotina que ia do mensalão, para se votar no “projeto Brasil do PT”, às obras públicas, restou ao país encolher economicamente com milhões de famintos desempregados.
O que coloca outra questão, e decisiva no que torna o Brasil, Brasil; a disputa é pelo fim da corrupção ou pelo monopólio da corrupção ou pela alternância na corrupção? As ideias fora da realidade demonstram que o importante não é o combate a corrupção, mas, a imposição de seu projeto social-político-econômico em detrimento do outro, sem que com isto, se extirpe a rotina da corrupção? A Itália de Berluscone, após mãos limpas, que o diga. E, não apenas. A questão é qual corrupção interessa investigar e qual preocupa manter os olhos da justiça fechdados?
Para ficar apenas em mais uma tese típica dos cientistas políticos do PSDB, a defesa da ideia de que a condições econômicas determinam a eleição está posta em cheque neste terceiro turno, uma vez que até o segundo turno a crise não se demostrava com a força que agora notamos pelos números negativos inegáveis face a crise econômica-política da corrupção. Resta saber se combinaram com o povo que não aparece em todo seu fulgor nas ruas. Ah! Sim! O povo é apenas mais uma ideia fora da realidade!
E tudo isto confirma apenas uma tese: o grande capital, este orbita ao redor dos governo federal e alguns estaduais, não se envergam perante o Estado, compram tudo que lhes interessa de reeleição presidencial com reforma Constitucional a partidos e candidatos que se lançaram como baluartes da ética e da defesa do povo brasileiro?
Que os juízes e os políticos honestos nos salvem!          

sábado, 19 de setembro de 2015

Sobre postes e criadores: Desafios para a sobrevida do governo Dilma

Não apenas Dilma foi reeleita em uma das disputas mais acirradas da história eleitoral do Brasil democrático, como isto era um prenúncio dos tons de cinza que poderiam predominar em sua gestão. Embora no discurso da vitória, no dia 26 de outubro de 2014, ela afirmasse não acreditar “que essas eleições tenham dividido o país ao meio.”; foi o que de fato ocorreu e ocorre.
Aécio obteve 48,36% dos votos válidos e Dilma, 51,64%. Uma diferença de quase 3,5 milhões de votos. Como se esta baixa diferença não fosse o suficiente para fragilizar a sufragada, ocorreu aproximadamente 20% de abstenções, 6% de votos nulos e 4% de votos brancos. Ou seja, aproximadamente 30% do eleitorado não aprovavam Aécio ou Dilma.
“São” estes 30% que emitem opiniões nada fáceis de analisar, decifrar ou equalizar no mapa político e no espectro do poder, até hoje, em meio a manifestações com mensagens entre o confuso e o contraditório, indo do impeachment ao pedido de volto dos militares. Do com partido ao sem partido, do “fora corrupção” à volta da monarquia.
Pelo país afora a oposição, liderada pelo PSDB e aliados, que obteve aproximadamente 51 milhões de votos, contra os 54,5 milhões de votos que sufragaram a presidenta, tenta cooptar o movimento, ainda amorfo, dos descontentes - somados aos seus eleitores, de onde a acusação de se pleitear ganhar a eleição na base de um “golpe”; afinal, apesar da aprovação da presidenta estar em menos de 10% nem todos concordam com a expulsão da mesma do Palácio do Planalto.
De todas as tentativas da oposição fazer parar o atual governo, e conduzi-lo à renúncia ou impeachment, o lema do combate a corrupção tem sido o mais alardeado e o que mais tem surtido efeito, todavia, na prática, a que mais tem aturdido o governo e atingido a população são as “pautas bombas”. Todavia, as bases das denúncias, no que tange a presidenta, ainda carecem de provas. Mas, mesmo assim, a operação “Lava-Jato”, quase uma continuação do “Mensalão”, gera um desgaste progressivo mesmo naqueles 51,5 milhões que reelegeram Dillmma onde o plano é a tempestade perfeita: o povo na rua numa representação maior que os eleitores do PSDB e dos descontentes com os partidos que votaram nulo ou em branco – que ainda não ocorreu apesar dos clamores para que o povo vá para as ruas indignados.
Assim, os 51,5 milhões de eleitores passam a se polarizar entre manter a legitimidade do governo sufragado ou não. Mais que isto, apesar de concordar com a permanência de Dilma no poder, esta se relativiza por não considerar a forma de governar legítima diante das promessas eleitorais recentes da presidenta e históricas do Partido dos Trabalhadores. Assim, quanto mais o PT se alinha no centro-direita, onde Kátia Abreu e Joaquim Levy são apenas os sintomas mais visíveis da quinada à direita, mais perde apoio de suas bases históricas e parlamentares e causa escândalo ao propor uma reforma ministerial onde os principais atingidos são os temas históricos dos trabalhadores pela demanda da igualdade, da pluralidade e da diversidade, entre outros.
Situação difícil a de Dilma que diante da Lava-Jato e do Mensalão viu esboroar, em tese, um dos mecanismos mais tradicionais de governabilidade do País, a “compra de votos” e o financiamento empresarial via “doações ao partido”. E, como se isto não fosse o bastante, desalinhou o movimento crescente do capitalismo que se viu sem as estruturas do Estado para permanecer ascendente via obras públicas. Posto isto, surge mais uma hipótese, acaso é possível lucro sem corrupção e fraude? Ou, para complicar ainda mais o quadro da governabilidade, acaba por clamar a certa “política dos governadores” para sobreviver e fazer votos em seus projetos que só fazem reeditar o já dito e não cumprido.

Neste campo minado da ética, não poucos históricos defensores dos princípios da administração pública – legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência – tergiversaram diante da realidade bruta dos fatos e passaram a acusar a operação “Lava-jato” de responsável pela crise econômica, para além da política. Honestidade não rimaria com crescimento econômico quando se está no poder, apenas quando se está na oposição?
Nesta guerra de Ciclopes, enquanto a Lava-jato não se encerrar haverá muitos políticos sedentos por justiça que poderão acabar “enjaulados”, ainda que muito temporariamente, apesar da seletividade na informação às massas via indústria cultural que só publica as notícias contra os oponentes. Desonestidade do próprio grupo não é crime, mero deslize a ser perdoado em confissão privada.

Fica um fato, o criador diante de sua criatura poste que pretendeu ter luz própria, não passou de uma metáfora efêmera do personalismo solar onde a lua acabou eclipsada e se quiser sobreviver terá de render homenagem ao grande patriarca nordestino estabelecido nas terras paulistas?

sábado, 27 de junho de 2015

Carta aberta ao LLulla ou as razões da decadência do PT

“Revolução vinda de cima” e adesismo são as duas das pragas políticas que acentuadamente marcam a História do Brasil, sem querer tocar no clientelismo e no mandonismo, por hora. E, estes os elementos que conduzem o Partido (que foi) dos Trabalhadores ao cadafalso do poder.
Ao ser sufragado à Presidência da República o Partido dos Trabalhadores rendeu-se a forma mais tradicional de poder, o personsalismo – e neste ponto da história o foco de quase tudo – o lulismo. Interessante como a substituição da monarquia não obliterou as razões de poder pessoal. Inicia-se neste ponto o conservadorismo do Partido dos Trabalhadores.
Ao lado do personalismo, uma das seduções do poder é aliar-se aos detentores do poder tradicional. Esta uma tendência história do domínio monárquico ou burguês republicano e/ou democrático. Aliar-se aos tradicionais detentores de poder político e econômico equivale ao adesismo dos partidos políticos. O rei está morto. Viva o Rei! Melhor dizendo: Viva o Presidente!
Neste enredo tradicional do poder o Partido dos Trabalhadores se aliou aos que se propuseram da fundação à campanha que os elegeu – mesmo diante da “Carta ao povo brasileiro”, de 2002 – se não combater, construir uma modelo alternativo de governo para viabilizar um novo modelo de sociedade pautada pela democracia na busca da tão propalada fórmula da justiça social.
Todavia, unir-se aos oponentes opulentos para viabilizar projetos de “justiça social” era o suicídio político retardado pela morfina do poder. Este adesismo partidário perpetuaria um poder onde as contas públicas roeria os lanços. Num acúmulo contínuo de desgaste de poder diante de um povo que assiste a “esperança que venceu o medo” ceder diante dos fatos: juros altos, desemprego, impostos, taxas, inflação, cortes de direitos trabalhistas, redução dos direitos de pensionistas, em suma, retorno, em um prazo de menos de um ano (2014-2015), a patamares semelhantes ao que era chamado de “herança maldita” do PSDB e piorando, em muito, a vida da classe média tradicional, até então uma sobrevivente histórica do financismo do Brasil.
Ao buscar uma “revolução vinda de cima”, no caso das elites partidárias e econômicas, o Partido dos Trabalhadores se afastou gradativamente de suas bases históricas para se refestelar com as bancadas religiosas, com os banqueiros e empresários que muito receberam do Estado e pouco, ou quase nada, fizeram de efetivo para além do financiado pelo dinheiro do povo – afinal, neoliberalismo bom é para o povo – ou sem avanços de políticas públicas de terceira geração –, aos empresários continua valendo o financiamento público em longo prazo e com juros subsidiados pelo suor alheio.
Face a esta cesta de elementos – onde Cleópatra colocou a mão e morreu para manter a coroa mesmo perdendo o reino – realizar o suicídio, para fazer como Vargas “saio da vida para entrar na história”, no caso, da vida político-partidária, seria o golpe mais vil. Posar de bom moço, de defensor do projeto histórico do partido e da ética quando fez aliança de Collor a Maluf, passando pelo isolamento de Suplicy e outros aliados críticos que se mantiveram no projeto contra as razões pragmáticas do poder, é construir um castelo com areias movediças que conduzirão o lulismo e o petismo – num abraço de afogado – para onde a direita e o capitalismo sempre sonharam e trabalharam para atingir: o desabono.

Neste ponto – e não por acaso – na véspera de embarcar para os EUA (27 de junho de 2015), a Presidenta DDillmma acenou com força para seus aliados históricos – as mulheres, em especial, e para os grupos discriminados – ao pautar a questão de gênero e poder, no caso o dela mesma como quem esperava comoção. - “Você já ouviu alguém dizer que um presidente homem se intromete em tudo? (...) Acredito haver um pouco de víeis de gênero. (...) Você tem de conviver com as críticas e com os preconceitos.”
Não haja dúvida presidenta que a questão de gênero pese, mas, foi o seu governo um dos que mais compactuo com os aliados que trabalham contra o que chamam, os oponentes, de "ideologia de gênero". Agora colhe o amargor de ser cúmplice do machismo, do patriarcado, tudo devido ao fato de ser branca. 
No mesmo dia, 26 de junho de 2015, a Suprema Corte dos EUA decidiu pela legitimidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. E, neste ponto, acenando para os aliados históricos do PT, do Planalto ao Ministério das Relações Exteriores, passando pelo Ministério da Educação, palco doa maiores embates dos combatentes contrários aos estudos e ensino de gênero, foram iluminados pelas cores do arco-íris – símbolo da diversidade humana.
Para um bom entendedor, um ponto é letra?
DDillma deseja romper com as alianças espúrias de LLulla - o grande patriarca do PT. A criatura chegou a maioridade e deseja ir para além do que os olhos do mestre possam enxergar ou pretenda controlar. A mulher quer emancipar-se via feminino. Novos ventos virão a tona, entre elas, o alvoroço dos adesismos que tanto minaram o projeto do PT com as feministas e os LGBTs.
Basta de “Revolução vinda de cima”? A Presidenta terá disposição para enfrentar as bancadas reacionárias que controlam o Congresso? Ou, foi tudo festim - as cores do arco-íris nas fachadas e nos facebook das instituições Estatais - numa manifestação do que o oponente FFHH chamaria de "dependência" e os mais críticos de herança do colonismo como inclinação do dorso para Obama que a receberia no mesmo dia?

domingo, 7 de junho de 2015

Pior que perder... é ganhar e não levar ou da extinção do pensamento político romântico

Chegamos a um ponto na sociedade contemporânea onde o mais relevante não é ganhar, mas, antes, inviabilizar o vencedor. Dilma Rousseff e Josef Blatter são exemplos ímpares. Ambos enfrentaram oposição de grupos significativos e, apesar dos pesares – corrupção e propina – saíram sufragados das eleições.
Dilma Rousseff utilizou de todos os meios ao seu alcance, assim como seu opositor, para vencer. Do discurso da esperança vencer o medo – quando LLulla era candidato – passou-se para a arenga do medo sucumbirá a esperança que raio.
A velha cantilena do medo na política é antiga e tradicional. Pintar o “outro” com tintas fortes faz parte do processo, segundo os marqueteiros e seus aliados. Quem está na oposição trabalha a esperança de novos tempos e o que está no poder adverte do medo, perigo e receio da mudança. Não é fato novo. É mais do mesmo ao longo dos séculos, quer democráticos ou não. Faz parte do romantismo político e seus ideais fraudados no plano real. O discurso do medo advertia para o risco de um choque de gestão. Vencedor o discurso do medo passou a implementar as práticas do ajuste fiscal.
A situação e a oposição sempre se digladiando em suas práticas discursivas – o que para um é choque, para o outro partido é ajuste; o que para um é reforço de caixa, para o outro partido é dinheiro não contabilizado, privatização X concessão... Seja como for, ao final das contas quem pagará à custa dos erros administrativos transformados em dívidas é o cidadão assalariado e quem ganhará sobre os acertos será a elite tradicional financista.

Vencido nas urnas, Aécio Neves demorou-se para reconhecer a derrota a ponto da vencedora quase se antecipar ao traço diplomático das eleições. O vencedor alardeia-se após as congratulações do vencido. O postergar do reconhecimento da derrota eleitoral rra o sinal claro de que o desbarato não aceitara o fato. De lá para cá, tudo o que vimos foi uma oposição organizada para garantir que a vencedora não seja entregue as batatas.
No caso de Josef Blatter o enredo não é diferente. Acossado de todos os lados está em meio à trama de propinas. Ao contrário de Dilma, seu o opositor não só reconheceu de público a derrota, como o fez de modo estamental, renunciando. Ao menos do ponto de vista oficial, pois, a ação remete a outros significados, como a impossibilidade de um embate ético. Mas, a teia em que se encontrava e se encontra matem o interesse em inviabilizá-lo e o conseguiu, a ponto de Blatter anunciar a renúncia. Mas, para o ano que vem. Até lá tudo pode mudar se seus opositores amainarem diante do desgaste da marca FIFA.
O mesmo faz a presidenta ao colocar em primeiro plano para as negociações o vice-presidente – transmutado em primeiro ministro – e o ministro da economia, transformado em embaixador. Sair do foco é a questão de Blatter e Dilma, para que tudo se mantenha como está.
O elemento mais relevante é notar o quanto os denunciados e acossados estão envoltos no enredo da corrupção como elemento que fortalece lucros e dividendos num enredo triste de assassinato público do romantismo republicano e democrático de direito. Nos dois casos, por absurdo que pareça, as investigações conduziram a prejuízos maiores do que o lucro do ressarcimento. Isto coloca uma questão diante do capitalismo anti-romântico: seria a corrupção sistêmica ou simbiótica no capitalismo, na república, na democracia?
Como escreveu Honoré de Balzac “Por detrás de uma grande fortuna há um crime”. No mesmo sentido, ouvi recentemente de um advogado que a melhor expressão para o que ocorre é a frase “está tudo dominado” e, se o Estado quiser fazer algo, deveria legislar para legalizar a joia.
Tristes tempos onde a busca da honestidade, da verdade e da justiça possam causar mais dano social que o benefício de seu ressarcimento numa denúncia banalizadora do sonho romântico da honestidade e da transparência. Tristes tempos estes onde o honesto é inviabilizado e o vencedor não levam as batatas. Afinal, pior que perder... é ganhar e não levar o prêmio. Pior que perder, é fraudar para ganhar.
OU para ficar em um exemplo de movimento social – mesmo que elitizado – como deverá se sentir quem foi às ruas contra corrupção na política do Brasil com a camisa verde e amarela do time brasileiro diante das denúncias contra a FIFA e a copa de 2014?
Machado de Assis (1839- 1908), responde – quer para quem votou em Dilma ou se manifestou pela honestidade – apesar das pequenas corrupções cotidianas – “De tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, desanimar-se da justiça e ter vergonha de ser honesto.”

Será o canto do cisne para os ideais políticos românticos de utopias mil? Será a inauguração do planeta a algemas?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Dilma – está na hora de pedir desculpas?!


É lugar comum, senso comum, no Brasil, que política partidária e corrupção andam de mãos dadas e não é de hoje. Ditadura e Democracia no Brasil, mas, não apenas por aqui, sofrem do mesmo mau. A corrosão dos direitos humanos, sociais, civis e políticos pela fraude sistemática do direito a representação em nome do lucro de algumas poucas dezenas de famílias.
Todavia, a Ditadura, por seu caráter anti-liberdade de expressão, conseguia se proteger das mazelas que o poder efetivava em nome do lucro e não apenas deste. Já a Democracia, amante que deve ser da mesma liberdade, e não apenas desta, possibilita-nos ver e ouvir cotidianamente o que no Brasil parece ter se tornado rotina no poder.
E, neste ponto, de rotinização da corrupção de alto a baixo assistimos o País chafurdar na lama do descrédito eleitoral como meio eficiente e eficaz de fazer um País melhor. Neste ponto, os casos meritórios devem ser lembrados e Luciana Genro avisou que seria assim – aumentos e crises –  com este ou aquele ou outro partido. Mas era esquerda demais para a nova ou a antiga classe mediana.

De santo e puro neste ponto parece nada restar e coloca-se na vala-comum o que deveria nos guindar à ação por mais democracia. E, aqui, Cristovam Buarque emerge com uma análise impar – se no impeachment de Collor os políticos foram recebidos nos braços do povo, hoje, quase todos os políticos seriam vaiados em praça pública.
O impeachment proposto para Dilma seve apenas para manter o clima antidemocrático de terceiro turno, o clima de torcida de futebol para o que deveria ser participação política. Travestido o cidadão de torcedor “roxo” resta  parte das ignorâncias que se vê propalar pelo empoderamento do faceboocke lancem de ódio de classe e de racismo.
Triste carnaval que teremos onde em meio a festa de Momo alguns propõem manifestação pró-impeachment. Tudo se soma para um desastre. Pior ainda, ver uma presidenta que perdeu a hora de pedir desculpas á nação em cadeia nacional e dizer que apesar de tudo o Partido dos Trabalhadores não se transformou no Partido dos Traidores e que a labuta contra a corrupção será diuturna no governo e no partido que precisa de fato e de direito expurgar os condenados e afastar os em investigação com provas cabais.
Menos que isto, a vitória será do projeto de FFHH que tão logo perdeu a eleição para Lula disse aos do PSDB que precisavam tomar das mãos do PT a bandeira da ética para retornar ao poder.
Telhado de vidro enquanto governo. Pedra enquanto oposição. O Brasil quer mais, merece mais que isto. E para iniciar, além de novas medidas contra corrupção política e contra o corruptor privado, desculpas seriam bem-vindas. Afinal, dizer que nada sabia não é mais possível?!




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os “Dois Brasis” eleitorais ou a contradição que interessa?

Wlaumir Souza
Durante a campanha eleitoral de 2014 vi, ouvi e li muitas manifestações dos que estavam na oposição a reeleição de Dilma R., que contradiziam um dos principais pontos do pensamento de K. Marx – a dialética. Assim, assisti, impressionado, ao fato de que não poucas pessoas – do cidadão comum, passando por políticos profissionais a acadêmicos (de universidades públicas e privadas) que condenavam a posição de contrapor “ricos e pobres”, a classe dominante e a dominada e afirmavam que neste ponto o Partido dos Trabalhadores faziam um desserviço à nação. Mais impressionado fiquei ao notar que alguns destes acadêmicos provinham das mesmas faculdades que outrora legitimaram ou trabalharam para o “bom governo militar”.
Outro ponto que me chamou a atenção foi os não poucos cidadãos que ao se manifestarem via redes sociais diziam ter ido à rua, no meio do ano passado, para a “mudança”. Não poucos destes entendendo a mudança como o sufrágio do candidato Aécio Neves que historicamente representa, via PSDB, o Estado neoliberal. Assim, numa amnésia quase que coletiva esqueciam-se que as manifestações iniciaram exigindo o transporte livre e gratuito o que remete a maior intervenção do Estado na economia e nos avanços das políticas públicas de distribuição de renda pelos mais diferentes canais não de cidadania via consumo, mas, antes de cidadania social. Os acima citados, trabalhavam pelo ocultamento das contradições sociais e políticas buscando construir o candidato Aécio N. como o porta voz da unidade nacional sem as “disputas” de classe democráticas.

Encerradas as eleições o sonho de uns se realizaram e o pesadelo de outros se iniciava. E, com isto o foco da contradição que interessa. Neste ponto, a quem mais interessava a contradição vem a convocação para a “harmonia” das classes. Os que outrora queriam a “massa indiferenciada” clamam pela diferença ontológica. Nada como o tempo e o espaço para o desvelamento dos interesses e das auto representações demonstrando que o que parecia pensamento crítico se torna ideologia e alienação e o que poderia ser ideologia e alienação busca se tornar pensamento crítico? Assim, a diferença entre o Brasil que se pinta na campanha depende de se estar no poder ou na oposição a este.
Assim, findas as eleições o PT fez um chamamento para o diálogo – dialética – para se chegar a uma síntese de governabilidade, o que, poderia ser, mais uma vez entendido, como a abertura de mão dos trabalhistas de sua agenda programática histórica em favor da manutenção do poder pelo poder que se legitima via parcas políticas sociais de distribuição de renda sem alterar de fato a pirâmide social visto que foi regiamente financiado pela capitalista financeiro e corporativo.

Do ponto de vista dos tucanos vencidos, a contradição que irrompeu foi aquela de Jacques Lambert em Os dois brasis (1957). Ironia do destino, exatamente isto que o PSDB e o DEM negaram durante seu reinado, digo, governo federal. Esquecendo-se de que Aécio N, fora derrotado em seu berço político e no Rio de Janeiro (local preferido para os passeios rotineiros do ex-candidato a presidente) querem assinalar a vitória num binarismo simplório entre o norte/nordeste pobre financiado pelos “bolsas” do governos federal e o sul/sudeste “rico e intelectual que pugna pela honestidade e transparência”. Aliás, estas podem ser vistas no Estado de São Paulo que não vê  avançar as denúncias contra o governo? Por outro lado, esquecem-se que tudo o que fizeram no passado foi tentar apagar do Brasil a Belíndia descrita por Edmar Lisboa Bacha.


Neste ponto entramos na contradição suprema que revela a vitória parcial das manifestações do ano passado? Enquanto as agências internacionais “humanitária” aplaudem o sucesso das “bolsas” os agentes do capital internacional não cessam os ataques à bolsa e ao dólar no Brasil visto que tudo que interessa é o neoliberal do “sula maravilha”? Isto sem contat o racismo nada cordial que irrompeu numa revelação de que temos muito o que fazer pelos "Dois Brasis".