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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Odebrecht, a República Nova é sua

Uma das maiores alegrias de ser professor ou pesquisador é quando o aluno ou a criatura (pesquisa) superam o nome do mestre. É o que vemos na operação Lava Jato, a criatura está a superar os criadores. Elaborada, possivelmente, como uma das maiores farsas, da nossa história brasileira, de combate a corrupção, ela avança e se torna quase incontrolável pelos seus atores ao se espraiar por vários partidos .
A história de combate a corrupção tem capítulos celebres, recordarei apenas dois emblemáticos e fazem parte da memória coletiva do mais do mesmo no Brasil. A primeira a do jingle “varre, varre, vassourinha, varre a corrupção” da Campanha de Jânio Quadros, em 1960. A outra, do caçador dos marajás Fernando Collor de Mello (1990 – 1992). Não é preciso dizer que estes projetos ocultavam interesses outros.
Talvez uma das maiores permanências em nossa história político-partidária seja a corrupção e farsa de combate a mesma. Mas, o tom de denúncia varia conforme os interesses e o modelo de denúncia de acordo com a época.
O ponto a que chegou a Lava Jato, com a lista de 108 nomes do Ministro Edson Fachim, fez com que os denunciadores se tornassem possíveis réus. As denúncias abundam contra os principais opositores, o PSDB e o PMDB, do Partido dos Trabalhadores, alvo primordial da investigação.
Engolidos pelo próprio projeto e a denúncia não cessa e neste ponto duas falas dos Odebrecht fizeram ouvir o rugido do leão pelas planícies da política e pelas tocas dos partidos. A primeira de que não há candidato e/ou campanha sem caixa dois; e, a segunda, de que o dinheiro da Odebrecht irrigava os projetos de políticos desde a década de 1980.
A diferença da década de 1980 para o século XXI é que na primeira etapa a corrupção era viabilizada pelas obras locais aos políticos da nação e, no século XXI, foi construído um departamento para garantir a “lisura” do imposto de renda, o Departamento de “Operações Estruturadas”. Recordo que operações estruturadas diz respeito a combinação de instrumentos financeiros para potencializar oportunidades no mercado e minimizar os riscos financeiros. Não por acaso uma das rubricas de pagamento de propina era “concessões e privatizações” que tanto marcaram a presidência do PSDB e do PT.
Neste quadro retornamos ao último Presidente da Ditatura civil-militar João Figueiredo (1979-1985) e chegamos aos dias atuais. De um projeto que era negociado no plano local com o nacional passamos para a Organização do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht negociando com os políticos da nação. Esta a marca da República Nova.
Mas, mais que isto, é bom pensar na pujança da farsa que engole o criador. De projeto restrito a denúncia do Partido que naquele momento histórico controlava e explorava a nação, o PT. Passa engolir o denunciante, PSDB, e principal favorecido, o PMDB, que se tornaram aliados em favor do capital que não mais se contentava com concessões e privatizações, “apenas”.
Neste quadro chegamos ao marco do aniversário do Impedimento da Presidenta Dilma Roussef (2011-2016), dia 17 de abril, que foi em boa medida financiado pelos partidos e pela FIESP e demais instituições congêneres aliadas que hora são engolidos pelo seu projeto de poder via judiciário em meio às panelas da classe média anti-petista. Abordamos ao primeiro ano do Impedimento com uma certeza, a grande vitoriosa nestes anos de República Nova Democrática foi a rubrica “concessões e privatizações” com o nome de projeto neoliberal via Organização Odebrecht na trajetória do pai e do filho, onde a Constituição Cidadã, 1988, foi um tropeço no percurso histórico.

Não se revezaram no poder partidos políticos, entre eles com destaque para o PSDB, PT e PMDB. Mas, vimos a permanência da Odebrecht no controle dos representantes do poder de Estado. Assim, cabe a pergunta se a Odebrecht mantinha o controle da “Ordem e Progresso” qual instituição que teria financiado a tomada do poder com o impedimento da presidenta Dilma Roussef e a conseguinte “amenização” do poder da Odeberecht na República? Qual seria a empresa que se beneficia com a “saída” da Odebrecht da cena dominante política da propina? Seriam as Igrejas Evangélicas e seu baixo clero parlamentar visto que parte significativa dos membros da Lava jato são desta ética religiosa? E aí, você ainda tem um político corrupto favorito e continua batendo panelas seletivamente contra a corrupção? Ou já percebeu que os políticos do País tendem a não ter valores, mas, antes de tudo, preço sendo mercadoria comprada pelo capital?
Seja como for a Constituição Cidadã é que está em jogo com todos os direitos que consagrou. O poder do capital não se contenta mais “simplesmente” com as concessões e privatizações”, agora exigem o fim dos direitos trabalhistas, via reformas da Previdência, Trabalhista e Terceirização; e reforma político-eleitoral para expurgar os grupos sociais em ascensão que cada vez elegem mais representantes . Mas, o ponto em questão é a Constituição que deverá ser abalada a ponto de se convocar uma nova constituinte que não deixe parar dúvida de que entramos em um novo momento história da República que busca no judiciário a legitimação de seus projetos de ampliação da dominação, controle e exploração do que foi um dia a cidadania.
A república que de nova nada tem sendo mais a República da Cloaca ou a República do Caixa 2 a serviço do capital via saque do dinheiro público encontra uma fala basilar do que sempre foi e ainda quer ser. A fala singular do Presidente em exercício Michel Temer: “Deixarei o judiciário trabalhar”. Esta frase foi dita em resposta a um repórter que perguntou, em voz alta, ao presidente em exercício, como ficava a situação do País e de seus Ministros denunciados  com a Lista de Fachin.

Ora, Senhor Sresidente, pelo que sabemos ainda estamos em um República Democrática, visto que a versão de golpe é negada pelo poder instituído. Destarte, se os poderes são separados não vos cabe deixar o Judiciário trabalhar. É dever de autonomia do mesmo processar o caso. Vossa Excelência não está acima da lei, embora para garantir os interesses do Capital tenha retirado direitos históricos da nação via discurso do medo com apoio do Congresso, se posicionando acima da sociedade e dizendo que o congresso, digo o projeto vencedor via impedimento, não pode parar, apesar da criatura engolir o criador.

sábado, 28 de maio de 2016

"Temer" para nada mudar


O Brasil é um fato das contradições históricas mais gritantes no mundo contemporâneo. Não por acaso que tantos teóricos ao analisarem as transformações no/do País utilizam-se de termos como “modernização conservadora” ou “mudar para permanecer o mesmo”. E, mais uma vez, seria isto que assistimos diante do fato do processo político-social que conduziu a aceitação do processo de impedimento da Presidenta Dilma Rousseff e ao governo (interino?) de Michel Temer?
Nestes termos o que parecia ser o emergir de uma nova era na relação dos cidadãos com os políticos e seus partidos, ou da cidadania ativa e suprapartidária para o bem comum revelou-se como farsa conduzida em coalizão nos bastidores pelas forças tradicionais do País, (segundo acusação de site notório de notícias): PMDB, PSDB, DEM e Solidariedade.– num Brasil que viu seu povo ser manipulado ao longo dos séculos pelas elites econômicas e políticas, com raras e meritórias exceções como as conquistas dos direitos trabalhistas, a Constituição Cidadã, de 1988, e alguns programas do governo federal, em especial, durante o governo federal do PT.
PMDB, PSDB, DEM e Solidariedade teriam utilizado a máquina partidária para apoiar o Movimento Brasil Livre (MBL), em princípio, com lanches, panfletos e transporte. Ou seja, neste ponto, igualaram-se ao que denunciavam do PT, no processo de resistência e mobilização da militância contra o impedimento de Dilma Rousseff.
Mais que isto, os áudios de conversas entre Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, com o presidente José Sarney, PMDB, Romero Jucá, PMDB, e Renan Calheiros, PMDD, demonstraram a possibilidade da organização das elites do partido para que o impedimento da presidenta fosse feito em nome da tomada do poder como meio de se garantir o tradicional salvo-conduto dos políticos do Brasil diante da Justiça, em especial da Operação Lava jato.
Assim, teríamos o tradicional movimento de nossas elites pela modernização conservadora onde se muda para continuar a mesma em séculos de patrimonialismo. O povo – ainda que constituído na maioria pelas camadas médias e dominantes – na praça pública que pareceu ser o empoderamento dos cidadãos, via redes sociais, revelou-se um teatro de fantoches onde a vítima maior é o cidadão comum, que foi às ruas ou não.

Afinal, que reformas virão da caneta do neoliberal Temer, apoiado por políticos que tinham como meta desmontar as investigações na Lava Jato, visto que o PT “permitia” o avanço de Moro mesmo cortando sistematicamente na própria carne? A isto os apoiadores de Temer, envolvidos na denúncia via conversas gravadas e vazadas na mídia, denominavam ausência de solidariedade da presidenta para com seus partidários? E, qual seria o “negócio do Aécio” que todos sabem e que faria com que ele fosse o “primeiro a ser comido”?
O bem do Brasil não seria o bem das elites partidárias, segundo a “nuvem de fumaça da honestidade” dita em praça pública pelo impedimento da presidenta e negada pela indicação de ministros suspeitos, e mesmo em investigação, e agora acuados por gravações vazadas?

As novas tecnologias da informação, que tanto competem pela legitimidade da informação com a grande e tradicional mídia de algumas poucas famílias no Brasil, também serviram no caso do MBL (e será que nos demais também?) apenas para viabilizar no Brasil mais do mesmo? Um novo golpe, só que desta vez civil-parlamentar e não mais civil-militar? Os mesmos atores unidos nos dois golpes: igrejas, OAB, a grande mídia, FIESP e associadas? Vitória do capital contra os direitos do cidadão comum com a manutenção dos privilégios dos funcionários do Estado? Desta forma, podemos ver melhor o “negócio do impeachment” e seus atores e estruturas lendo em fontes internacionais, visto que os nacionais manipulam em demasia as informações e análises com o poder do editor?